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21/09/2009 - 14:53:24

Campanha “vende água suja” por 1 dólar

Redação Água Online

As doenças diarréicas tiram a vida de cerca de 2 milhões de crianças a cada ano - 5.000 por dia - e um número incontável delas sofre desde o nascimento com doenças relacionadas com a falta de saneamento básico, como diarréia, cólera e febre tifóide. O alerta, feito pelo UNICEF, há cinco anos permanece extremamente atual ainda hoje. E ganha novos contornos com o lançamento pela entidade da ONU para a Infância da campanha US$ 1 por uma garrafa de água suja.

Várias máquinas, semelhantes às que vendem refrigerantes, foram espalhadas por Nova York oferecendo garrafas de água supostamente contaminadas por vírus e bactérias causadoras de doenças como a diarréia, a malária, a febre tifóide ou o cólera.

A idéia da campanha é chocar o público e ampliar as doações para as ações humanitárias e da área de saneamento, especialmente para países do Terceiro Mundo. No Youtube.com é possível assistir a um vídeo mostrando a elaboração da campanha e o lançamento nos Estados Unidos.

O mote é “Por 1 dólar, saboreie a água suja que se bebe diariamente na África e na América Latina” . Os nova-iorquinos que caminham pela Rua 14 olham admirados ao insólito “vendedor” e fazem cara de nojo diante das garrafas com um líquido de suspeita cor alaranjada.

Quando os passantes “mordem a isca”, o homem se identifica. Se chama Dámaso Crespo, espanhol e diretor artístico da campanha “Dirty Water/Agua Suja”, da agência Casanova Pendrill, que inundou as ruas de Nova York.

A idéia da original campanha é arrecadar fundos para o Tap Project, em cooperação com o UNICEF, e atingir a meta de prover de água potável durante 40 dias a uma criança por cada dólar arrecadado.

Um mal que desafia o tempo

A diarréia se espalha mais facilmente em ambientes de saneamento pobre onde a água potável está indisponível. Muitas vezes essas áreas foram atingidas por catástrofes naturais ou tornaram-se degradadas pela ação do homem.

Doenças transmitidas pela água são uma das principais causas de mortalidade em menores de cinco anos, juntamente com pneumonia, malária e sarampo. No caso de catástrofes, o abastecimento de água e instalações sanitárias que não estão devidamente protegidas são rapidamente danificadas.

“Quando as catástrofes naturais, como terremotos e inundações, ou catástrofes provocadas pelo homem, como conflitos, destroem ou contaminam o abastecimento de água, a primeira conseqüência é a ameaça à vida de crianças,” segundo o UNICEF. Uma quantidade cada vez maior de recursos de água e saneamento são dedicados às situações de emergência - naturais e provocadas - em que comunidades pobres enfrentam o maior perigo.

O UNICEF está empenhado em garantir o fornecimento de água potável e saneamento no prazo de 72 horas da superveniência de emergência porque as crianças são particularmente vulneráveis aos perigos da água suja em situações de emergência, como desastres naturais e conflitos. A melhor maneira de evitar o efeito de emergência, segundo a entidade, é capacitar comunidades locais para cuidar de seu abastecimento de água e de governos a fazer investimentos que assegurem a segurança de água e saneamento mesmo durante os tempos mais difíceis.

(Envolverde/Água Online)

COMENTÁRIOS

José 3/10/2009 às 14:07

Olá,

A adicionar ao problema da água potável, que pode tornar-se um problema mundial ( aliás, já deviamos considerar assim), penso que há o perigo num futuro não muito distante de a água se tornar o próximo “petróleo”, sujeita as regras do mercado e da especulação, como já começa a acontecer com os cereais.
Parabéns pelo artigo.

Cumprimentos,

José

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