Colunistas
A hora da bicicleta: uma lição lá de fora
Há cerca de um ano, minha mulher e eu tomamos uma ótima decisão: ir ao trabalho de bicicleta. Mesmo atendendo bem a população, não dá para dizer que é um deleite usar o transporte púbico aqui de Londres. Muito cheio e, no caso dos ônibus, irritantemente lento. Comprar um carro estava (e ainda está) fora de questão. Seguros, impostos, taxa disso e daquilo encarecem o custo do automóvel na cidade. Além do mais, as ruas estreitas daqui tornam o trânsito impraticável e os estacionamentos não dão conta da demanda. Somado os fatores à minha protuberante barriguinha, ficou óbvio que a bicicleta era a nossa (principalmente a minha) melhor opção de transporte.
É verdade que Londres está longe de ser uma Amsterdã no quesito “cidade amiga dos ciclistas”. Infelizmente, bikers também morrem atropelados por aqui. Mas não dá para reclamar que faltam ciclovias. Mesmo quando não temos nossa faixa exclusiva, podemos usar as destinadas aos ônibus ou ir pelos belos parques e canais, que são caminhos mais longos, porém mais seguros e agradáveis do que o asfalto. Em resumo, há uma polÃtica pública que, se não privilegia, ao menos reconhece a bicicleta como um verdadeiro meio de transporte.
Pelo que tenho acompanhado, o Brasil vai aos trancos e barrancos na mesma direção. Estive por aà na época de festas e vi com alegria as ciclovias do Rio e de Santos e o número de ciclistas fazendo jus ao espaço.
Já São Paulo foi um desgosto. MuitÃssimo carro e pouquÃssima bicicleta, como sempre. A poluição também é um entrave para pedalar na capital. Ao menos, há uma mentalidade ciclÃstica que cresce cada vez mais na população. O biker exige seu lugar nas ruas. A prefeitura cria estacionamentos exclusivos e tenta interligar a bicicleta ao transporte público.
Com boas e más práticas, a verdade é que ainda falta muito para atingir um nÃvel mÃnimo de segurança e conforto para o ciclista brasileiro. Pode ser impressão, mas me parece que ninguém percebeu até agora que esse pode ser o melhor momento para o Brasil - talvez o mundo - fazer da magrela um meio de transporte realmente popular e matar um monte de coelho de uma cajadada só.
Temos o aquecimento global, a crise econômica mundial, o apuro das montadoras de automóveis, o aumento do número de obesos e um trânsito indecente nas grandes cidades.
O cenário é perfeito para a bicicleta! Ambientalmente amigável, relativamente barata, saudável e muito mais rápida no trânsito. Não dá para ser melhor.
A boa e velha vontade polÃtica tem um papel fundamental nesse jogo. Parte da população já se mostrou disposta a trocar o carro pela bicicleta. Por que não dar mais uma razão (ou duas) para que isso aconteça?
Um acordo entre governo, empresas e trabalhadores aqui do Reino Unido vem funcionando muito bem e poderia servir de exemplo para o Brasil. É o Cycle Scheme, em que o governo concede incentivos que vão de 30 a 50% do preço da bicicleta. Em contrapartida, as companhias financiam o bem e oferecem estacionamento seguro e um vestiário com chuveiro. Já o funcionário-ciclista tem apenas que se comprometer a pedalar em pelo menos 50% das jornadas que faz para o trabalho.
Não é um esquema tão complicado e poderia até mesmo aumentar o número de empregos no Brasil, concedendo o benefÃcio somente à s bicicletas produzidas no paÃs.
Henrique Andrade Camargo é jornalista e blogueiro (www.minhalondres.blogspot.com). Já trabalhou para a Gerência de Comunicações do Grupo Abril e colaborou com revistas como Viver Psicologia, VIP e Superinteressante. Nesta última, junto com a equipe da publicação, ganhou medalha de ouro no Prêmio Malofiej 2005, o Oscar da infografia mundial, que é concedido pela Universidade de Navarra, na Espanha.
COMENTÁRIOS
Meu querido Campeão, q bela publicação e um item muinto bem lembrado ou seja a Bicicleta nem sabemos mas o q eh issu aki no Brasil…Abraça e Parabens
Muito sério e educador esta informação, haja vista , que o nosso paÃs urgentemente deve aderir rstr meio de transporte e dar suporte e segurança para que culturalmente possamos utilizar a bicicleta todas as horas.
Petrópolis (RJ), que vc e sua adorável Barbora visitaram neste final de ano de 2008, se beneficiaria incrivelmente com o uso das bikes, o que já vem sendo feito por uns e outros (infelizmente não é o meu caso: temo um atropelamento…). Temos inclusive um grupo de ambientalistas que se bate pela connstrução de ciclovias à s margens dos nossos rios. Oxalá a nova administração da cidade – petista! veio para mudar… – embarque nessa! No mais, parabéns pela oportunidade e correção do texto, além da saudade de sempre…
Ola Henrique.
Realmente Brasil ainda tem muito o que evoluir quando o assunto e transporte limpo.
Sou brasileiro, com muito orgulho, mas hoje em dia estou morando na Australia. Aqui, na cidade em que estou morando (Perth) existe o maior incentivo de inicativa publica e privada, para que as pessoas facam uso de suas magrelas ao se transpotarem de casa para o trabalho. Eu e minha noiva ja fomos contagiados pela ideia e, estamos providenciando nossas bicicletas.
Muito bom o seu artigo.
Fabricio
Acredito que o maior problema aqui no Brasil, seria o mercado de automóveis que faz o que quer com o governo, pode se perceber que mandam nesse paÃs.. torço para que cada vez mais façam ciclovias, quando trabalhei na Secretaria do Verde, se percebe que a vontade de construir ciclovias é enorme, mas acabam investindo mais e mais em pontes, duplicações de estrada etc..
pARABENS PELAS SUAS PALAVRAS SOU PRESIDENTE DA abc aSSOCIAÇÃO bRASILEIRA DE CICLISTAS, VOCE COLOCOU MUITO BEM PRECISA-SE DE PESSOAS SERIAS INTERESSADAS EM COLABORAR COM A MOBILIDADE URBANA SUSTENTAVEL QUE E A BICICLETA, MAS PRECISA DE GENTE HONESTA E COM COMPROMISSO COM A CAUSA E NAO ONGS QUE VISAM LUCROS E ESQUECEM DE BRIGAR POR SISTEMA CICLOVIARIO.
