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29/06/2012 17:13:21

A Rio+20 está dentro de nós

Se para a mídia e para os céticos a Rio+20 serviu mais para provocar engarrafamentos na cidade maravilhosa e para confirmar que nossa espécie é mais demens do que sapiens, para mim foi um divisor de águas.

Corredores sempre lotados do Humanidade - pessoas ficavam mais de duas horas na fila para conferir a instalação - mas valia muito a pena. Quem viu, viu. / Fotos: Silvia Marcuzzo

Voltei para casa com uma bagagem pesada e com muitas metas e compromissos comigo mesma. Estou mais ciente de que não adianta ficar lamentando. Para ser feliz e fazer o mundo melhorar, precisamos tentar transformar o que está lá dentro – em algum arquivo escondido, alguma pasta do nosso HD – e a nossa volta. E como isso é difícil nesse mundo de condomínios (e de suas insuportáveis reuniões), de configurações fakes etc. Terei que procurar minha turma, minhas várias tribos onde eu possa desempenhar papéis que estejam de acordo com minha busca incessante pelas tantas faces da sustentabilidade.

Sim, não existe uma só, há várias tentativas de sustentabilidade: a pessoal, a profissional, a familiar, a financeira, a espiritual, a mental,

As fitinhas que remetem ao senhor do Bom Fim da Bahia formavam o mapa do Brasil sobre a cabeça dos visitantes.
enfim, em todas as áreas que precisam ter equilíbrio no balanço da vida. Isso ficou evidente na oficina de Projeto de Vida, integrante da intensa programação do Fórum de Empreendedorismo Social. O evento, um entre tantos outros que fizeram parte da megalomaníaca Rio+20, serviu para mostrar que não dá mais apenas colocar a culpa nos governos, nos políticos etc. A diferença precisa começar pela gente.

E a cada dia que subia as rampas do prédio-instalação do Humanidade, no Forte de Copacabana – talvez a melhor coisa da Rio+20 -, minha percepção era de que boa parte daquelas milhares de informações não penetrava na maioria das pessoas, que simplesmente deslizavam de patins entre os andaimes da fabulosa instalação. Tomara que esteja errada. De qualquer forma, em mim, tudo aquilo caía como um meteorito: frases, palavras, pássaros alados, o entrar e sair de ambientes tão diferentes, ora sufocantes ora de cara com o mar.

As vivências experimentadas nessa convivência com a amiga Maura Campanili, com colegas de vários cantos do país, amigos de outros tempos, além do conhecimento e reconhecimento de diversas pessoas que fazem a diferença no mundo, foram porradas no meu modo de vida, nas minhas formas-pensamento. Tantas certezas desmoronadas, que ainda estou digerindo o pós-Rio+20. Voltar e ver que a vida continua… e que tudo – independente de onde estejamos, seja no Rio, em Cachoeira ou em Porto Alegre – depende de nós.

Imagens, palavras, sensações... No final, o que fica?

(Silvia Marcuzzo/Mercado Ético)

COMENTÁRIOS

mirna grzich 29/06/2012 às 19:43

Silvia, que linda percepção, que alegria senti ao te ler, isso é consciência, isso é evolução, isso é chegar proximo do miolo da nossa cebola existencial – somos feitos em camadas, e para agirmos de maneira que faça realmente a diferença precisamos que nossa intenção saia de dentro, do vazio que há no meio da cebola. Esse vazio é o nosso Ser, o famoso “eu sou” do mundo sagrado, nossa essência, nosso karma/dharma. Quando nossa fala, pensamento e ação saem desse centro, tudo o que fazemos neste mundo para melhorá-lo passa a ser uma ação realmente correta, equilibrada, sintetica e integrada ao Todo. Sim, precisamos achar e conviver com nossa turma, pois são momentos onde devemos estar juntos e nos fortalecendo mutuamente.

Marly Cuesta 1/07/2012 às 2:02

Parabéns e Obrigada querida Silvia Marcuzzo, por mais este belo texto reflexivo.O título do mesmo, já diz tudo.Concordo plenamente!
Espero que tenhas também a visão das atividades da Cúpula dos Povos, onde ficaram concentradas nossas atividades.
E do Parque dos Atletas, anexo ao Riocentro?
abraços e luz na missão,
Marly Cuesta
Rep.dos Pontos de Cultura do RS
GT-Mobilização Sul da Cúpula dos Povos
Tuxaua 2010

José Ferreira Alves 8/07/2012 às 9:48

Parabens concordo plenamente é hora da população tomar vergonha na cara e deixar de culpar somente os governos e começar a fazer sua parte,é vergonhoso com tanta informação sobre a situação do nosso planeta principalmente sobre a agua e mesmo assim vejo muitas pessoas jogando lixo na rua, acredito que um ser humano que chupa uma bala e joga o papel na rua não merece viver na terra.

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