últimas notícias

Notícias Comentários (0)

08/07/2011 15:47:42

África atrai cada vez mais projetos de energia limpa e mitigação de emissões

Instituto CarbonoBrasil

“As oportunidades na África estão aumentando”. A frase de Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção-Quadro sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas (UNFCCC), pôde ser comprovada no Fórum de Carbono da África, que ocorreu entre os dias 4 e 6 de junho em Marrakesh, no Marrocos. A julgar pela participação de mais de 1.100 pessoas no evento, o continente parece atrair cada vez mais investidores para projetos ‘limpos’.

O encontro anual, organizado por instituições como a UNFCCC e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), marcou o 10º aniversário do Acordo de Marrakesh, no qual foram adotadas as regras que determinam o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

O fórum reuniu desenvolvedores de projetos, compradores, fornecedores de serviços representantes nacionais e interessados dos setores privado e público, que discutiram o desenvolvimento de projetos de energia limpa e de compensação de carbono no continente.

“O crescente conhecimento e interesse dos participantes regionais é muito evidente nesse fórum. Desde 2010, quando ele foi realizado pelo PNUMA em Nairóbi, nossos esforços para engajar o setor privado e as instituições financeiras da região através de capacitação direcionada e de parcerias piloto entre os setores público e privado estão claramente gerando frutos”, comemorou John Christensen, diretor do Centro Risoe do PNUMA.

Os projetos de MDL, que preveem a redução de emissões de CO2 em países emergentes, despontaram como um dos principais mecanismos para a mitigação das emissões de CO2 e das mudanças climáticas no continente. De acordo com o PNUMA, atualmente, há 190 projetos de MDL na África em diferentes estágios de desenvolvimento.

Esse número ainda é pequeno se comparado aos mais de 3.220 projetos de MDL registrados no mundo – representa apenas 2% do total –, mas aponta uma evolução em relação aos dos anos anteriores. Em 2010, 2009, 2008 e 2007, por exemplo, a quantidade de projetos de MDL no continente era de 170, 130, 90 e 53, respectivamente.

“O panorama dos projetos de compensação na África está mudando. A crescente valorização e interesse no MDL aqui estão começando a transformar o acesso aos mercados. Agora, mais do que nunca, precisamos que os sinais de mercado de longo prazo para a África sejam esclarecidos”, sugeriu Neeraj Prasad, administrador de Prática de Mudanças Climáticas do Instituto Banco Mundial.

Já Figueres acredita “que o crescente interesse nos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ajudará a inverter a maré e contribuir para o posicionamento firme das oportunidades da África no panorama do mercado de carbono após 2012”.

Segundo os organizadores do fórum, dentre os projetos de MDL, os que têm desenvolvimento mais promissor e apresentam benefícios particulares para o continente são os Programas de Atividades (PoAs). Estes programas são pequenos projetos de MDL unidos por apresentarem características semelhantes. Para se ter uma ideia, dos nove PoAs registrados no mundo, três estão na África.

“O MDL programático é claramente visto como uma opção muito atraente pelos países africanos e desenvolvedores de projetos. O números de PoAs na África é de quase 23% dos PoAs existentes. Isso é uma porcentagem muito maior do que a da parte de todos os projetos de MDL na África”, lembrou Christensen.

Henry Derwent, presidente e CEO da Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA) acredita que “por razões tanto comerciais quanto políticas, o mercado de créditos de carbono está agora focado na África, quer seja para projetos de MDL ou créditos voluntários, energias renováveis, silvicultura ou uso da terra. O ACF está ajudando a África a entender e a agarrar as oportunidades”.

Entretanto, alguns especialistas creem que o panorama jurídico enfraquecido do continente, os problemas de governança e a falta de garantias para investidores do setor podem estar dificultando o desenvolvimento de projetos limpos, sobretudo na esfera das energias renováveis.

“A questão não é a escassez de fundos para investimento, mas mais a inabilidade dos mercados africanos de atrair uma parte substancial desse investimento”, declarou o sultão Ahmed Al Jaber, presidente da Assembleia da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA).

Para Al Jaber, “isso é em grande parte devido à falta de políticas coerentes e consistentes, de capacidade técnica, regional e institucional, de mecanismos de permissão e de marcos regulatórios, que fazem que a região seja comparativamente desinteressante para empreendedores e investidores”.

Por isso, a IRENA revelou que sediará uma reunião em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, nos dias 8 e 9 de junho, para tentar desenvolver uma cooperação internacional para acelerar o uso de energia renovável na África. De acordo com representantes da agência, comparecerão ao encontro delegações de 45 países africanos, além de enviados da ONU, da Alemanha, da China, dos Emirados Árabes Unidos, da França e da Índia.

O evento tem como objetivo estimular a criação de estratégias para a África e gerar um esforço de todo o continente para preparar as nações africanas para o desenvolvimento das energias renováveis. “Há um grande potencial para capitalizar recursos renováveis na África desde que o ambiente de permissão certo seja criado”, declarou Adnan Amin, diretor geral da IRENA.

(Instituto CarbonoBrasil)

COMENTÁRIOS

Faça o seu comentário

Campos com * são obrigatórios