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13/08/2009 - 17:09:50

Agente transformador

Wilson Brumer*

A necessidade de formação de mão-de-obra capacitada para atendimento das demandas diversas que advirão com a retomada da economia, tem se transformado num dos pontos de alerta, para que as empresas não vejam as oportunidades de fortalecimento e expansão limitadas ou reduzidas pela falta de pessoal especializado. A possibilidade de se dispor de quadros técnicos de diferentes níveis de formação será um dos instrumentos capazes de formar no Brasil um contingente de empresas competitivas, tornando, assim também o País competitivo num mercado globalizado, cada vez mais exigente, a cada dia mais cioso de suas responsabilidades para com o presente e o futuro deste planeta.

Este momento está se mostrando como grande desafio para o empresariado, pois aquelas empresas que não demonstrarem capacidade para concorrer terão maior grau de dificuldade para continuar no mercado. Mas para o sucesso nessa nova economia que começa a ganhar corpo, não adianta apenas se ter excelentes técnicos capazes de pesquisar e levar à escala industrial os inventos ou descobertas.

Internamente, as corporações precisam aprofundar os processos de modernização administrativa, não apenas importando modelos que estejam dando certo num ou noutro país. Com base nas experiências, é fundamental que cada uma, considerando sua cultura e o meio onde está implantada, encontre fórmulas de otimização de gestão, para que os ganhos, não apenas financeiros, sejam proporcionais aos investimentos.
Nas últimas décadas, muito se caminhou em termos de processos de gestão. Entretanto, muito mais ainda é preciso caminhar, principalmente no que se refere às questões relacionadas ao desenvolvimento dos recursos humanos, adotando-se políticas que melhorem o ambiente do trabalho em todos os seus aspectos. Um ambiente - não me refiro apenas ao espaço físico - limpo e saudável, se transforma em um local propício à criação em função do bom relacionamento que aqueles que o ocupam precisam cultivar para desempenhar a contento suas funções.

Para que isso ocorra, mais do que processos é fundamental que também os métodos e conceitos passem por uma radical transformação. Uma delas, quem sabe a essencial, é a mudança do papel e da performance do gestor. Este deve ter espírito de liderança, sendo capaz de aglutinar pessoas. Assim, não basta ser um excelente técnico, pois se pode perder um profissional competente e ganhar um coordenador desastrado ou desastroso. A figura do capataz, que deveria ter sido banida quando da abolição da escravatura, também precisa ser morta e sepultada, dando lugar a um empreendedor e líder de equipe.

As relações dentro de um grupo de trabalho precisam ser de confiança e respeito, não de medo pelo poder temporário que o comandante detém, pois a construção ou a camaradagem não ocorre num clima de insatisfação. Aquele que coordena, tratando os coordenados sem qualquer urbanidade, tende a se sobrepor não pela autoridade, mas pelo autoritarismo. Na maioria das vezes, é pessoa insegura que enxerga, em qualquer iniciativa de algum coordenado, uma ameaça a sua posição ou a seu status quo.

O verdadeiro líder é o profissional que não teme delegar, valoriza os profissionais com quem trabalha diretamente e incentiva a ousadia ao invés de se preocupar apenas em chamar a atenção ao menor erro, além de manter permanentemente abertos os canais de comunicação, por entendê-la como a base do poder. Por isso, um líder de equipe é aquele que vê os que se acham sob a coordenação dele não como subordinados, mas como integrantes fundamentais de uma engrenagem.

Os avanços tecnológicos estão fazendo com que as equipes de trabalho se tornem cada vez mais enxutas. Esse quadro leva a que os profissionais desenvolvam múltiplas funções, por disporem de ferramentas apropriadas. Assim, ao mesmo tempo em que o processo produtivo exige grau maior de especialização, o profissional não pode ficar restrito ao seu quadrado. Ele precisa estar inserido no universo da empresa, buscar atualização constante e novos instrumentos para otimizar seu trabalho.

Ao delegar e dividir com os membros de sua equipe as responsabilidades pelos fracassos, mas, principalmente, pelos sucessos, os bons e os maus momentos, o profissional terá condições de analisar o desempenho de seus colaboradores, avaliando o que cada um deles precisa para desempenhar cada vez melhor e com maior grau de satisfação sua função. Com a autoridade de líder, se tornará real agente de mudanças.

(*) Wilson Brumer é colunista de Plurale, colaborando com um artigo por mês. Administrador de empresas, é sócio da Winbros e conselheiro da Usiminas, Omega Energia Renovável S.A., Light e Localiza. Já foi presidente da Vale, da Acesita e dos Conselhos da Cemig e da BHP no Brasil.

(Plurale)

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