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Banco Mundial quer justificar financiamento de combustÃveis fósseis
Nicolas Rolander, da IPS
O Banco Mundial convocará especialistas externos à instituição em sua busca por argumentos que justifiquem sua nova polÃtica de financiamento para projetos de centrais de energia baseados no carvão. Nas recém-concluÃdas Jornadas Européias de Desenvolvimento realizadas na capital da Suécia, o Banco Mundial expôs as bases de sua estratégia em matéria de energia e meio ambiente, a qual já provocou crÃticas de ativistas que defendem incentivos a projetos ambientalmente sustentáveis.
“Como isso é novo, decidi consultar alguns especialistas externos antes de iniciar qualquer projeto, para que nos ajudem na avaliação”, disse à IPS a vice-presidente da instituição para a área de Desenvolvimento Sustentável, Kathy Sierra. “Desse modo estaremos assegurando que atendemos a necessidade de crescimento dos paÃses e que o faremos do modo mais limpo possÃvel”, acrescentou. O Banco Mundial argumenta que são necessários investimentos de certa magnitude em projetos de produção de energia a partir de combustÃveis fósseis, para garantir à população dos paÃses em desenvolvimento acesso a esse serviço.
“Temos de trabalhar em nÃveis local e de base (nacional)”, disse Sierra. “Em nÃvel local é mais fácil implementar projetos de energia renovável. Mas, para a maioria das nações grandes é necessário um nÃvel básico, de centrais hidrelétricas, combustÃveis fósseis ou de tecnologia nuclear. Pode-se obter algo de fonte solar ou eólica, mas não tudo o que é necessário, devido à s limitações da energia disponÃvel”, afirmou.
CrÃticos questionam investimentos do Banco Mundial em energia a carvão porque exacerbam a mudança climática e consolidam a dependência das nações em desenvolvimento a tecnologias obsoletas que empregam combustÃveis fósseis, em lugar de lhes dar a oportunidade de desenvolver uma infraestrutura mais limpa. “A continuidade dos créditos do Banco em beneficio dos combustÃveis fósseis compromete muitos paÃses em desenvolvimento com essa modalidade de energia nos próximos 20 a 40 anos”, afirmou em um informe Heike Mainhardt-Gibst, do Bank Information Center, organização não-governamental com sede em Washington que analisa as operações do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Há pouco tempo o governo da Grã-Bretanha pediu urgência ao Banco Mundial no sentido de aumentar a proporção de seus investimentos em eficiência energética e em projetos de fontes limpas para 60% nos próximos três anos. As estimativas em torno do investimento atual da instituição em modalidades limpas de produção de energia variam. O Banco a situa em40%, mas especialistas questionam essa porcentagem.
Sierra considera necessário estabelecer um critério comum para definir a energia limpa, para que o Banco Mundial e seus crÃticos possam ao menos, estar de acordo sobre o que estão debatendo. A nova estratégia ambiental da instituição terminará de ser delineada em 2010, após consultas de nÃvel mundial com organizações da sociedade civil e com outras partes interessadas. Já foi realizada uma reunião em Istambul com essa finalidade, a qual foi muito agitada. Porém, não houve uma grande discussão a respeito nas instâncias dedicadas ao assunto nas Jornadas Européias de Desenvolvimento, realizadas nos dias 22, 23 e 24 deste mês em Estocolmo. A sociedade civil sueca contou nessa conferência com uma magra representação.
Ativistas da Suécia disseram que o processo de consultas implementado pelo Banco Mundial é mais um exercÃcio de relações públicas, afastado de qualquer tentativa genuÃna de discussão. Essa atitude reflete suspeitas persistentes na sociedade civil internacional de que o Banco se concentra no crescimento econômico com única ferramenta para o alÃvio da pobreza, que relega as preocupações ambientais a um segundo plano.
“A estratégia ambiental não pode ser separada da estratégia global do Banco Mundial, que se baseia na presunção de que o crescimento econômico melhorará, inevitavelmente, a vida dos pobres”, afirmou Göran Ek, da Sociedade Sueca para a Conservação Natural. “A presunção básica é que o crescimento econômico tradicional, mais do que a sustentabilidade dos serviços proporcionados pelos ecossistemas, é a principal ferramenta para combater a pobreza, e desde esse ponto de vista o meio ambiente não é prioritário”, lamentou Ek.
Por outro lado, Sierra disse que o Banco Mundial avançou muito desde anos anteriores e que a estratégia ambiental que se propôs desde 2001 teve muito êxito ao incorporar as preocupações na matéria à s atividades da instituição. “Me agrada dizer que o Banco Mundial não é hoje aquele no qual comecei a trabalhar”, disse sua vice-presidente. “Fizemos um bom trabalho ao garantirmos que nossos projetos não tenham impactos negativos. Conseguimos até agora melhorar muito o meio ambiente. Temos a sensação de que podemos fazer mais, e de que não temos aproveitado todas as oportunidades”, acrescentou.
(Envolverde/IPS)
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