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21/10/2009 - 13:30:33

Campanha alerta sobre produtos feitos por escravos

Adital

“O que está por trás do que compramos?” Com essa pergunta, a Campanha internacional “Compra responsabilidade”, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), lançada na segunda-feira (19/10) na Bélgica, tem o objetivo de conscientizar os consumidores sobre a procedência de produtos oriundos da exploração da mão-de-obra de pessoas traficadas.

O objetivo é sensibilizar consumidores e provocar uma mudança no comportamento consumista, eliminando o ciclo da exploração de seres humanos através do tráfico. Estima-se que cerca de 12,3 milhões de pessoas no mundo sejam vítimas do trabalho forçado em situação de escravidão ou semelhante.

De acordo com a OIM, “é fundamental eliminar a procura da mão-de-obra explorada e traficada destinada a satisfazer o desejo de produtos baratos e grandes lucros por parte de consumidores e empresas”.

Segundo o diretor geral da OIM, William Lacy Swing, “o tráfico de seres humanos está motivado pela procura de mão-de-obra e de produtos excessivamente baratos vindos de todas as regiões do mundo”.

A maior parte dos casos de pessoas traficadas registra mulheres e crianças que são exploradas sexualmente, porém, é crescente o índice de tráfico para exploração laboral envolvendo homens e mulheres de todas as idades.

Os homens traficados são explorados nos campos da agricultura, construção, pesca e serviços domésticos, conforme a Organização. Esses setores dependem do trabalho irregular a baixo custo para crescimento e lucros, afirma Swing.

Segundo dados da OIM, o número de vítimas do tráfico para exploração laboral aumentou nos últimos 11 anos, tendo acentuado nos últimos 5 anos. A instituição alerta que é necessário prestar atenção no lado da procura deste tipo de mão-de-obra.

Para a Organização, “o envelhecimento das populações, a diminuição da taxa de natalidade e participação produtiva em países industrializados, associado ao excesso de oferta de mão-de-obra nos países em vias de desenvolvimento sem que haja suficientes canais para a migração legal, tem permitido aos traficantes tirarem proveito da procura de mão de obra estrangeira a baixo custo”.

A Campanha tem um spot televisivo que mostra um grande carrinho de compras de supermercado virado ao contrário, com pessoas representando os trabalhadores migrantes traficados.

Em Bruxelas, capital da Bélgica, uma conferência ministerial sobre ação global da União Europeia no combate ao tráfico de pessoas, serviu de espaço para que a OIM fizesse um apelo aos consumidores no sentido de que eles assumam um papel mais ativo no combate ao tráfico.

“Através da compra responsável e levando as empresas a repensar os seus métodos de funcionamento, os consumidores, que estão cada vez mais à procura de comércio justo, têm o poder de acabar com a exploração laboral”, espera a OIM.

Mais informações sobre a campanha no site: http://www.buyresponsibly.org/ (em inglês).

Com informações da Agência Lusa

(Adital)

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