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20/06/2012 18:39:55

Chefes indígenas recebem líderes do mundo

Isabel Gnaccarini, do Mercado Ético

Na Kari-Oca, Marcos Terena é um líder indígena com história para contar. Mas durante quase uma hora em que estivemos juntos, ele sendo pintado por duas mulheres kaiapós do Pará, o que mais marcou foi a doçura de suas palavras. Com sutil delicadeza, ele diz que o grupo de nações indígenas reunidos para a Rio+20 é o ponto de equilíbrio entre os outros tantos povos que chegam agora no Rio de Janeiro: “Somos anfitriãos, deixaremos que os povos visitantes falem. Faremos diferente do que fizemos em 1992, quando lideramos pelo discurso”.

Marcos Terena sendo pintado por uma integrante de sua tribo. / Foto: Isabel Gnaccarini

O que eu entendo de Terena é que, como chefe de um povo brasileiro, ele seguirá protocolos diplomáticos ditados pela Organização das Nações Unidas. Reunidos na aldeia Kari-oca, construída em Jacarepaguá, Terena é um entre líderes de povos indígenas presentes na Conferência para o Desenvolvimento Sustentável de 2012. Como ocorreu 20 anos antes, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco-92), Terena (da etnia indígena xané) congraça as lideranças a agirem como chefes de Nação. Em 1992, ele organizou a Conferência Mundial dos Povos Indígenas sobre Território, Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Uma liderança indígena é aquela que tem um povo. Diferente da representação política do modelo branco democrático, reunida em associações ou partidos, “não temos aqui as organizações indígenas como a Coiab”, lembra Terena. Hoje, os indígenas têm seus articuladores na ONU (chefes especializados no sistema das Nações Unidas) e prepararam um documento que integre suas recomendações.

Índios de diversas tribos marcam presença na Kari-oca. / Foto: Isabel Gnaccarini

“Estamos tratando de propósitos brasileiros. O que estamos reivindicando é espaço nas políticas públicas do governo. Não estamos pedindo. Estamos conquistando. Hoje, a Funai está esvaziada. Portanto, queremos uma política indigenísta,” afirma Terena. Exemplo do que ele reinvindica é um Ministério do Índio, ou melhor, uma plataforma com dinheiro e força política. E que o governo brasileiro se renda à competência desse povo, coisa a ser encontrada na beleza que emana da aldeia Kari-oca, celebração do mundo índio na Rio+20.

Na Kari-oca, estão concentrados cerca de 400 índios, provenientes dos povos xerente (Tocantins), pataxó (Bahia), cayapó (Pará), kamayura (Xingu), guarani, bororo e karajá, entre outros. Do outro lado do litoral, na Cúpula dos Povos da Rio+20, estão Raoni (kaiapó) e Ailton Krenak (crenaque), outros importantíssimos chefes da causa indígena. “Nosso objetivo aqui é tratar da defesa da terra, das águas, da biodiversidade… Nosso cuidado contribui hoje para a sociedade moderna, que hoje é pobre e não tem mais suas águas doce e salgadas limpas”, diz Terena.

Sobre globalização, o líder diz ser um conceito economicista e consumista. “Por isso a Europa está quebrando!”, enfatiza Marcos Terena. “Nós sonhamos com a globalização por meio do direito do outro – a mesma tinta, mas o desenho vai ser diferente…”, resume ele.
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Kari-Oca Rio+20 – de 12 a 22 de Junho em Jacarepaguá, Rio de Janeiro.
Jogos Verdes e Celebração dos Povos da Terra.

(Mercado Ético)

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