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16/06/2012 21:51:55

Conceito de bem-viver chama atenção de comunicadores

Sucena Shkrada Resk, do Mercado Ético

O conceito de bem-viver, que se expande entre os povos tradicionais e indígenas andinos, chama a atenção de comunicadores de mídia livre e é uma das teses defendidas na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que acontece no Rio de Janeiro. O tema ganhou relevância e estará no centro da pauta do Encontro Latino-Americano de Comunicação Popular e Bem-Viver, que será realizada de 19 a 22 de setembro, em Quito, no Equador, sob promoção da Associação Latinoamericana de Educação Radiofônica (ALER). Uma prévia sobre o evento ocorreu hoje (16), durante o II Fórum Mundial de Mídia Livre, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nelsy Lizarazo, da ALER, e Sally Burch, da ALAI, durante II Fórum Mundial de Mídia Livre

A colombiana Nelsy Lizarazo, representante da ALER, em entrevista ao Mercado Ético, conta que essa discussão já existe há sete anos, como crítica ao paradigma de desenvolvimento. “Nesse contexto, questiona-se as práticas de comunicação dentro do modelo mercantil, que é estabelecido em função de grandes interesses”, diz.

O objetivo, segundo a comunicadora, é que se fortaleça as agendas com propostas transformadoras na América Latina, que envolve todos os cidadãos, desde suas infâncias. “A comunicação popular pretende enriquecer a liberdade de expressão das comunidades, dando perspectiva de futuro, por meio da ideia de harmonia com a natureza, solidariedade e justiça socioambiental”, completa Nelsy.

Apesar de ser uma meta em construção, ela acredita que deve se contemporalizar com os desafios atuais de desenvolvimento mundial. “É passar de uma visão antropocêntrica para biocêntrica, em que há espaço para a economia solidária. O desafio é transformá-la em grande escala”, assume.

Para a equatoriana Sally Burch, da Agencia Latino Americana de Información (ALAI), o tema do bem-viver é uma nova oportunidade de repensar o desenvolvimento, que possibilita que a sociedade ganhe autonomia no processo comunicativo. O doutor em Comunicação, Dênis de Moraes, analisa que a sensibilização e implementação são gradativas. “É um meio de fortalecer o cidadão consciente que leva consequemente a um consumo responsável, que é contrário ao mercantilismo e ao desenvolvimento predatório. Exemplos desse novo paradigma têm sido observados principalmente na Bolívia, Equador e Venezuela”, conclui.

* Acompanhe a cobertura do evento no Especial Mercado Ético Rio+20

(Mercado Ético)

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