22/06/2012 21:00:18
Isabel Gnaccarini, do Mercado Ético
(texto alterado em 23/6)
O Mercado Ético pôde acompanhar uma entrevista de Brice Lalonde a uma televisão francófona. Na ocasião, o coordenador-executivo da Rio+20 fez um resumo do evento, valorizando a importância de alguns pequenos compromissos e, sobretudo, do sucesso de se ter chegado ao final com um grande acordo entre todos os 193 países membros das ONU: “continuamos todos preocupados e cuidando do planeta”.
Veja abaixo, o que ele disse:
A diferença desta Conferência é que ela foi excepcional por sua participação social, das associações, governos, prefeituras, empresas. Eu nunca vi tanta participação da sociedade civil, que veio muito antes para o Fórum.
De jeito nenhum a Conferência foi um fracasso: são 193 países numa sala e a ONU é o secretariado. Se a ONU pudesse dizer, bom, eu faço uma proposta… mas não se passa assim. São os 193 países que decidem e buscam uma unanimidade. E a unanimidade entre tantos países é muito dificil. Eu penso que o cidadão que espera uma decisão espetacular da ONU para salvar o planeta ficará dececionado. Não é assim. É demorado, muito demorado.
Há algum tempo havia algumas palavras que há 20 anos não existiam. A internet não existia. E que agora tem um papel super importante nessa Conferência. Um monte de coisas estão acontecendo. O que conta, em primeiro lugar, é a ação, que começa em nível local. A coisa começa em um país. O um país que dá o exemplo, que antes usava uma energia suja para se locomover e que decide usar bicicletas nas cidades. E de repente os outros países vão seguir o exemplo. E em seguida, na Conferência começamos a dizer: “puxa, vamos colocar bicicletas nas ruas”. É assim que acontece.
O que poderemos ver como marca dessa Conferência? Quando falamos da Conferência de 92, dizemos: “puxa, tem um monte de coisas que não foram aplicadas. Não de maneira suficiente.” Então, o que vale a pena é ter Conferências das quais as decisões são aplicadas. Mas o que houve aqui, em 2012, foi um precedente: o que criamos aqui foi a participação da sociedade civil que votou online, votou pela internet as recomendações a nossos chefes de Estado. Isso é novo e espero que seja guardado como um avanço da Rio+20.
Outras coisas vão marcar. Há muitos compromissos que foram tratados aqui. Muito dinheiro que foi gasto. Houve muita gente que veio – há os diplomatas, mas há também muita gente entusiasta, que veio para falar com os outros. Juntando tudo isso, há muito dinheiro gasto e muitos compromissos.
Eu também gostaria que na Declaração final houvesse mais… Mas… É fato que a partir de setembro teremos o fortalecimento do Pnuma, que não será uma Agência e continuará em Nairobi, mas será fortalecida. Pronto. Está escrito. É uma decisão. Assim como essa, há uma série de outras decisões.
Dizemos que o PIB não é uma boa medida para o bem-estar do homem e não leva em conta a preservação da natureza. Isso é verdade. Mas o que foi dito na Conferência foi para que o serviço de estatísticas das Nações Unidas faça uma proposta de alternativa. Como poderíamos fazer de outro jeito? Em realidade há um monte de decisões que não são espetaculares, mas que serão muito importantes em seguida.
Podemos dizer que foi um grande sucesso? Não. Mas foi um sucesso. Imaginem se não tivesse havido um acordo? Teríamos de dizer que o desenvolvimento sustentável não existe mais? Ou que não nos preocupamos mais? Pelo menos, nesses tempos difíceis – ano eleitoral para alguns -, os 193 países disseram: “é mportante continuamos!” Evidentemente teremos muitos compromissos e vamos ver se terão efeito. Mas pelo menos ninguém disse: “para mim tanto faz, não estamos nem ai para o planeta.”
(Mercado Ético)