15/06/2012 10:14:39
Isabel Gnaccarini, do Mercado Ético
Nesta quinta-feira (14) de preparações para o período oficial da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, o espaço Humanidades 2012 (Forte de Copacabana) foi palco de dois encontros sobre a mudança na produção agroflorestal na Amazônia. O primeiro encontro ocorreu no eixo Cúpula de Prefeitos, onde o governador Simão Jatene e o secretário especial de Municípios Verdes, Justiniano Netto, apresentaram o Programa Municípios Verdes (PMV) do estado do Pará. O segundo evento lançou o projeto Florestabilidade, uma parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Fundo Vale para a Educação e para o manejo florestal nos estados do Pará, Amazonas e Acre.
Municípios Verdes
O Programa Municípios Verdes baseia-se na experiência com iniciativas sustentáveis em Paragominas. O território que há dez anos era conhecido pela violência associada ao desmatamento, hoje contribui para a redução das taxas de destruição do bioma amazônico. Tornou-se até um lugar de difusão das boas práticas da agropecuária e de retomada da legalidade nas propriedades rurais.
Entre os debatedores da mesa-redonda, estiveram presentes Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, e Mauro Lúcio de Castro Costa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas.
O pecuarista Mauro Lúcio de Castro Costa disse que é fantástica a oportunidade de mostrar como as práticas socioambientais mudaram a face do município. Mas que o foco, segundo ele, deve ser demonstrar à sociedade que é possível gerar riquezas com a produção de olho na preservação. “O que precisamos é ter governança sobre as florestas e as riquezas ambientais que recebemos como herança da natureza”, enfatizou o presidente do sindicato que representa 280 associados e 80% do território de Paragominas. O próprio Mauro Lucio é proprietário de 4.356 mil hectares na localidade.
O cadastramento de propriedades rurais é um dos instrumentos usados no Programa Municípios Verdes, e a base para o ordenamento territorial que irá se fazer. Após o levantamento e o diagnóstico das propriedades rurais, o governo fará o zoneamento, conforme as aptidões (seja para pecuária, agricultura ou silvicultura) de cada terra.
A tendência, explica o sindicalista, será o plantio em áreas de APPs de mais espécies frutíferas, medicinais e de essências . Já em reservas legais, a ideia é enriquecer com as madeiras nobres para o corte manejado. Tudo pensado para os próximos 10, 20 e 30 anos.
Mas e a certificação florestal com selos verdes? “A vontade é de caminhar nesse sentido, mas precisamos dar os primeiros passos, ter volume para o mercado. Então, seguiremos para o certificado; já conversamos com o Imaflora (certificadora nacional agregada ao FSC)”, afirma.
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Florestabilidade
No segundo evento sobre Amazônia ocorrido no Forte de Copacabanam foi assinada a parceria que possibilitou o “Florestabilidade”. O projeto a ser realizado em parceria com os governos do Pará, Amazonas e Acre, pretende capacitar mais de 180 mil alunos a partir de agosto deste ano. Durante a apresentação, o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, e o Governador do Estado do Pará, Simão Jatene, assinaram o acordo de cooperação técnica que garantirá a implementação do programa em todo o Estado, com o apoio da Secretaria Estadual de Educação.
O Florestabilidade irá difundir o manejo florestal no Brasil, despertando nos jovens a importância econômica, social, educacional e ambiental dessa prática em um país com a maior área contínua de florestas tropicais do mundo. A veiculação dos programas será feita pelo telecurso e também serão exibidos pelo Canal Futura.
O material pedagógico conta com 15 programas de vídeo, livros, jogo e website interativo, a ser distribuído a professores do ensino básico e profissionais que prestam assistência técnica a comunidades da Amazônia.
Afinal, como reafirmou José Roberto Marinho, o objetivo é “trazer o saber das pessoas que vivem da floresta e dos povos indígenas, aliado ao know-how dos pesquisadores e poderes locais, para a população da Amazônia”.
Conheça melhor em www.florestabilidade.org.br