19/11/2008 17:13:59
Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
O super-executivo Jefrey Immelt e o economista bengalês Muhamad Yunus têm pouco em comum a não ser talvez a firme crença em suas idéias sobre empresas sustentáveis. Há duas semanas, em Nova York, o CEO da General Eletric contagiou uma platéia de 1.200 executivos com o seu entusiasmo pelas corporações e negócios verdes. Na semana passada, o presidente do Grameen Bank, prêmio Nobel de 2006, esteve no Brasil onde fez a sua habitual pregação sobre o microcrédito e o conceito de empresa social.
Em visita ao País, para o lançamento do seu livro “Um mundo sem pobreza”, palestras públicas e encontros privados com políticos e empresários, Yunus defendeu, com a serenidade costumeira, uma tese que, para muitos, se apóia em preceitos contraditórios: a de que o mundo precisa de “social business”, isto é, de companhias cuja prioridade não seja lucro e dividendos, mas benefícios sociais para pessoas de baixa renda. Vale reforçar, de partida: ele não está se referindo a uma organização de terceiro setor muito menos ao festejado conceito de negócios na base da pirâmide, cunhado pelo indiano G. K. Prahalad, segundo o qual as empresas podem ajudar mais na erradicação da pobreza se direcionarem seus produtos e serviços para um contingente de quatro bilhões de pessoas de classes C e D, com renda anual de até U$ 1,5 mil.
Yunus tem sido um crítico contumaz do BOP, como ficou conhecido o modelo sugerido por Prahalad. Para o criador do Grameen Bank (banco da aldeia), tratar os pobres como mera oportunidade de negócios só faria manter as desigualdades sociais e a engrenagem de um capitalismo perverso. Empresa social é – segundo ele – uma organização voltada para causas. Nela, os acionistas não estão preocupados com bottom line e admitem a idéia de apenas recuperar o dinheiro investido. Os resultados financeiros – sim, persegui-los é importante! – são integralmente revertidos na melhoria de um produto ou serviço com claro apelo social e também na expansão do seu “mercado” local.
Na Wall Street, pós ou pré-crise do subprime, modelos como este são tratados com ironia e desdém, e gente da estirpe de Yunus, como poetas sonhadores. De lado qualquer licença poética, o fato é que, há quatro anos, Yunus convenceu Franck Riboud, CEO da francesa Danone, a fundar, com o Grameen Bank, a primeira empresa social de Bangladesh, um país com 150 milhões de habitantes e uma renda per capita menor que US$ 4 por dia.
Durante almoço em Paris, Riboud confessou que desejava encontrar formas inovadoras de estender a missão da companhia de contribuir para a saúde de mais pessoas, especialmente das mais carentes. Yunus, por sua vez, viu na fala do executivo uma oportunidade para turbinar sua luta contra a desnutrição no país. Reunida a fome com a vontade de comer, nasceu, seis meses depois, a Grameen Danone Foods – uma pequena fábrica localizada em Bogra, no Norte de Bangladesh, produtora do Shoktidoi, um iogurte fortalecido com vitaminas e sais minerais.
Para financiar uma experiência tão inovadora, a empresa acabou criando, em 2006, um fundo de investimentos chamado Danone Comunities. E hoje já trabalha a implantação de modelo semelhante na Indonésia e na África do Sul. Toda a cadeia produtiva do Shoktidoi observa os princípios da sustentabilidade: mecanismos de ecoeficiência instalados, pouca tecnologia para gerar mais empregos na região, compras feitas de pequenos agricultores locais clientes do Grameen Bank e distribuição por conta de mulheres da rede estabelecida pelo banco.
O desafio de Yunus com a Danone Foods é, a rigor, e guardadas as monumentais diferenças em dólares, o mesmo de Immelt com a sua linha Ecoimagination: a viabilidade econômica. Para muitos de seus produtos verdes, a GE está enfrentando o desafio de abrir mercados novos, com baixa escala e alto custo de desenvolvimento. Como objetiva lucro, no entanto, a companhia aposta que cada vez mais clientes pagarão pela inovação. Alto investimento para alta recompensa financeira.
No caso da empresa social de Bangladesh, recai um desafio de outra ordem: oferecer um bom produto a preço bastante acessível para pessoas de baixíssima renda. Os sócios da Danone Foods prevêem que a fábrica deverá equilibrar entradas e saídas apenas daqui a dois anos, quando puder ocupar toda a sua capacidade produtiva. Alto investimento para alta recompensa social.
Evidentemente, experiências como a de Yunus ainda são vistas como alternativas, até porque confrontam a lógica vigente da rentabilidade de curto prazo. Não há nenhum sinal no horizonte mais próximo de que as empresas venham a aceitar a idéia de substituir a recompensa financeira pelo dividendo social aos seus investimentos. De qualquer modo, é bom para o mundo que as empresas sociais existam e em número cada vez maior, ainda que como símbolos de um ativismo generoso e solidário, expressões da missão institucional de empresas que pretendem deixar o mundo melhor para futuras gerações. Coexistindo com as empresas convencionais elas não nos farão esquecer nunca de que o melhor lucro é aquele que está a serviço do desenvolvimento, do bem-estar e da qualidade de vida das pessoas. Não custa sonhar que, um dia, Yunus convença Immelt a criar uma empresa social.
* Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável. ricardo@ideiasustentavel.com.br
(Envolverde/Revista Idéia Socioambiental)
Oi pessoa…
Desde pequenininha sonho acabar com a miséria e a fome, pois isso me causa uma enorme angustia e depressão, por ver poucos com tanto e inúmeros em necessidade…achei que era apenas um sonho meu. Yunus mim fez acreditar que isso é possível. O tema Empresa Social é a minha monografia pois é nisso que acredito.
Kátia Valeria, 28 anos.
[...] [É possível uma empresa social?] Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental empresa_social socialbusiness [...]
Li esse artigo numa revista quando estava na sala de espera de uma clínica oftalmológica e me identifiquei grandemente com as ideias do nosso amigo Yunus. Espero poder fazer a minha parte na contribuição para realização desse projeto em outras áeras de negócio. Foi inspirador. Vamos lá amigos leitores, nós podemos transformar a sociedade em que vivemos, basta trabalhar para que isto aconteça. Se alguém tiver alguma boa ideia e quiser compartilhar, segue meu e-mail : fernandojuris@bol.com.br . Um abraço a todos, e não se esqueçam, nós podemos fazer a diferença.
Sou Contailista (Profissional Liberal)e quero saber como abre uma Empresa Social neste setor!
Tive problemas de câncer de pele e foi preciso amputar meu nariz. Foram 4 (quatro) cirurgias. Mas graças a Deus estou curado e com um nariz novo. Só não posso me expor ao Sol. (isso em 2007).
E em Jun/2009 Tive enternado no Hospital das Clínicas com problemas de Pulmão e o Coração crescido e fraco. Tenho 51 (Cinquenta e um) anos. Por estar inadimplente com o INSS, não pude me aposentar.
Alem de uma materia sobre empresasocial, abaixo tem contatos de pessoas que se interessariam por sua ideia.
.Estou renovada para seguir minha vida em fazer diferença para um mundo melhor..
QUERO AGRADECER A PORTUNIDADE DE ESTARMOS JUNTOS NESSA.
VAMOS EM FRENTE.