Salas Temáticas > Global Fórum

21/11/2008 - 13:02:48

Educação em rede para um mundo sustentável

O Global Forum América Latina (GFAL) realizou em São Paulo, nos dias 20 e 21/11, o Call for Action, workshop para elaborar propostas de ações inovadoras em prol de uma sociedade sustentável. O encontro, que pode ser traduzido como “Chamada para Ação”, é um desdobramento do congresso realizado em junho, em Curitiba. E o primeiro que acontece fora do Paraná. Com o objetivo de discutir o papel da educação e dos negócios com foco na sustentabilidade, o Global Forum foi trazido ao Brasil pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com o apoio da comunidade empresarial e acadêmica.Cerca de 300 empresários, executivos, representantes da academia, do poder público e da sociedade civil participaram das discussões em São Paulo, que visa o trabalho em rede e compartilhado. O workshop terminou nesta sexta-feira (21/11), com a apresentação de planos de ação para trabalhar a educação e sustentabilidade.

“Esse encontro em São Paulo é fruto das reflexões iniciadas em junho, em Curitiba. Entendemos que é preciso repensar a formação para os negócios e percebemos que o caminho para isso é a formação de redes sociais e de aprendizagem, que influem de forma positiva nas mudanças e na educação”, afirmou o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, na abertura do encontro. Rocha Loures, que também é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, ressaltou que a CNI está comprometida com desenvolvimento social responsável.

“Se não acontecer uma mudança de consciência e de método nas empresas e nas universidades, viveremos em crise permanente e podemos entrar em crises irreversíveis. O primeiro desafio da atualidade é a organização em redes”, disse Loures.

Na avaliação de Mário Monzoni, diretor do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, a mobilização está apenas no começo. “É através de atividades como essa que podemos contribuir para o desafio da sustentabilidade. Formamos um grupo de trabalho para tratar a sustentabilidade do ponto de vista da educação. Um dos resultados foi a criação de uma nota técnica, que subsidiará a inserção da sustentabilidade nas áreas de pesquisa da Capes”, disse Monzoni. “A Capes aprovou nossas sugestões e fará um edital para subsidiar iniciativas envolvidas com a sustentabilidade. Isso mostra que a área de gestão tem importância estratégica semelhante à área de tecnologia”, ressaltou Rocha Loures.

Um dos resultados esperados deste Call for Action será a criação da Rede Social do Movimento Global Forum, que reunirá representantes de todos os setores para continuar as discussões e propor ações em prol da sustentabilidade. Os participantes poderão colaborar com iniciativas que vão ao encontro de suas áreas de interesse, criar suas próprias iniciativas e contribuir com um banco de informações com ações pela sustentabilidade.

A organização do Call for Action é da Unindus, universidade corporativa do Sistema Fiep, com apoio do Sesi-PR e em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas, Case Western Reserve University (EUA) e Instituto Ethos.

Educação no Brasil

O presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação e Administração (Angrad), Antonio Freitas, apresentou um panorama da educação no país. “O Brasil é um pais estranho: temos uma economia crescente, mas na educação somos muito fracos. Na Rússia, mais de 50% das pessoas têm curso superior, no Brasil, esse índice é de apenas 3%, sendo que, destes, 75% estão em escolas privadas”, disse.

Para Freitas, é preciso sensibilizar as pessoas para haver mudanças. “Nosso sistema é elitista e discriminatório. Para que haja um programa de sustentabilidade, temos que tornar as coisas mais homogêneas. Para isso, nossa educação superior deve ser melhorada, mas temos que começar com a educação básica”, enfatizou Freitas.

Repercussão 

Estados do Norte e Nordeste do Brasil também estão se mobilizando para refletir sobre educação e sustentabilidade, tomando como base o Global Forum. Em março, em data a ser confirmada, será realizado um encontro em Manaus, e nos dias 15 e 17 de abril, em João Pessoa, na Paraíba. No Norte, o foco será as mudanças climáticas; no Nordeste, a redução da pobreza.

Os resultados desses encontros serão sistematizados e compartilhados no encontro BAWB - Global Forum Mundial, que acontecerá em junho de 2009, em Cleveland, nos Estados Unidos. A idéia é promover, a partir de agora, uma chamada coletiva para que os participantes do Global Forum e outras pessoas que desejem se agregar ao movimento se convertam em agentes de iniciativas concretas em favor da sustentabilidade

De bem com o meio ambiente

Assim como nas edições anteriores do Global Forum, realizadas em Curitiba, este encontro será livre de carbono, graças à captura promovida por quarenta árvores oferecidas pela Menos Carbono, empresa especializada neste tipo de solução.

(foto: Letícia Freire, do Mercado Ético)

(GFAL)

COMENTÁRIOS

Haroldo Vilhena 21/11/2008 às 21:12

Trabalho a alguns anos em um modelo para a educação auto-sustentável.
Acredito sinceramente que o modelo de comercialização da maioria dos produtos e serviços atuais é bastante ultrapassada.
Num mundo onde a matéria prima é, muitas vezes, irrelevante no preço do produto, o mais importante hoje passa a ser ter a atenção do consumidor, criar uma relação com ele.

A Crise (num mundo de alavancagem de 40 vezes) certamente é mais psicológica do que real.

Roberto Rocha 15/03/2009 às 21:17

A questão é que o hemisfério norte não tem vivência de como lidar com megadiversidade. Os países fora da faixa intertropical são todos ridicularmente pobres em espécies. A cultura que sabia lidar com megadiversidade (Brasil) foi eliminada em sua maioria, os indígenas. A maneira de cultivar a terra no Norte (inverno rigoroso) foi transferida para o Sul - inadequadamente -, pelos europeus que aqui se instalaram e continuaram a repetir o que faziam lá em cima. O equívoco está no modelo de uso da terra, europeu: “que não serve para as terras tropicais”. Enquanto isso continuar a ser repetido vamos, cada vez mais, destruir o que resta de nossos complexos ecossistemas. A educação brasileira não deve copiar modelos europeus, mas ter como base a cultura milenar dos indígenas que acumularam um riquíssimo acervo natural em nosso próprio território. É uma questão de se apropriar de um conhecimento antigo que foi adquirido aqui mesmo, e não nas terras boreais. Não temos que usar arcos e flechas e nem pintar o corpo com urucum, mas é “burrice” não perceber que esse conhecimento é o mais adequado para a nossa realidade ecológico-geográfica.

Faça o seu comentário

Campos com * são obrigatórios