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18/07/2012 16:03:42

Emissões per capita chinesas alcançam as de países industrializados

Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil

As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) subiram 3% em 2011 para 34 bilhões de toneladas. O grande destaque negativo foi a China, que registrou um aumento de 9% em suas emissões, alcançando a assombrosa marca de 9,7 bilhões de toneladas. Isto significa que cada chinês foi responsável pela liberação de 7,2 toneladas de CO2, o que, pela primeira vez na história, os coloca dentro da margem das emissões per capita dos países industrializados (seis a 19 toneladas).

Essas informações estão em evidência no relatório “Tendências das Emissões Globais de CO2”, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Centro Conjunto de Pesquisas da Comissão Europeia (JRC) e pela Agência de Avaliação Ambiental dos Países Baixos (PBL).

De acordo com o relatório, o ranking dos maiores emissores globais apresenta a China em primeiro lugar com 29% do total, seguida pelos Estados Unidos (16%), União Europeia (11%), Índia (6%), Rússia (5%) e Japão (4%). O Brasil, com 450 milhões de toneladas, está empatado com o México, e fica ainda atrás de nações como Coreia do Sul, Canadá e Indonésia.

Quando são analisados os dados per capita, a Austrália lidera absoluta com 19 toneladas anuais. Os Estados Unidos vêm em segundo, com 17,3 toneladas, seguidos pela Arábia Saudita (16,5), Canadá (16,2) e Rússia (12,8). A média da União Europeia ficou em 7,5. O Brasil se destaca positivamente, apresentando apenas 2,3 toneladas.

O relatório aponta que o crescimento das emissões chinesas se deu por causa da expansão do consumo de combustíveis fósseis. O país atravessa um período de grande desenvolvimento de sua infraestrutura, que teve como consequência o aumento de 9,7% na utilização de carvão.

Por outro lado, a União Europeia registrou uma queda de 3% em suas emissões, e os Estados Unidos e o Japão, de 2%. A diminuição teria sido resultado de diversos fatores, como um inverno ameno e a alta no preço do petróleo.

A aposta nas renováveis

Entre 2000 e 2011, um total acumulado de 420 bilhões de toneladas de CO2 teria sido emitido devido às atividades humanas, incluindo o desmatamento. Desde 1992, é observado um aumento de 50% nas emissões antropogênicas, o que teve grande impacto na concentração de CO2 na atmosfera, que passou de 356ppm para 392ppm.

O relatório aponta que se a atual taxa de crescimento for mantida, o limite de um trilhão de toneladas, que a literatura científica aponta como sendo o máximo para manter o aquecimento global em menos de 2ºC, será ultrapassado nos próximos 20 anos.

Uma das maneiras mais promissoras para evitar esse caminho seria o estímulo das fontes renováveis de energia.

A participação das fontes alternativas, excluindo a hidroelétrica, está se acelerando, afirma o relatório. Foram precisos 12 anos, entre 1992 a 2004, para que elas dobrassem sua participação de 0,5% para 1% na matriz mundial. Porém, em apenas mais seis anos, a fatia aumentou para 2,1%.

Já no ano passado, as energias limpas evitaram que 0,8 bilhões de toneladas de CO2 fossem liberados, o que equivale ao total de emissões da Alemanha.

Se for incluída a hidroeletricidade, as fontes renováveis respondem por 8,5% da matriz mundial e foram responsáveis por evitar a emissão de 1,7 bilhões de toneladas em 2011.

(Instituto CarbonoBrasil)

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