19/06/2012 19:18:24
Isabel Gnaccarini, do Mercado Ético
A rashtag do título desta reportagem foi usada no twitter pelo movimento 350.org nesta segunda-feira (18) para enviar ao mundo uma mensagem: como usar melhor o U$ 1 trilhão de dólares dos subsídios dados à indústria do petróleo? A campanha está ecoando a partir da Rio+20, e a NRDC (Natural Resources Defense Council), em parceria com a Oli Change International, trouxe ao Riocentro a campanha que propõe o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis.Conforme declaração do presidente Obama (março de 2012), “ao invés de subidiar uma indústria que não promete mais lucros, devemos usar esse dinheiro para investir em tecnologia para energias limpas, que nunca foram tão promissoras.” A proposta de Obama para os Estados Unidos é a de cortar US$ 4 bilhões por ano nos subsídios para a indústria de óleo e gás nos próximos 10 anos. Em paralelo, desde 2009, 50 líderes do G20 têm se comprometido em fazer a mesma coisa.
Etiópia, Nigéria, Índia e México são exemplos de países em que a subsidiada indústria do petróleo poderia render mudanças radicais com a transferência de recursos para amenizar a pobreza e as mazelas ambientais. O Brasil, também! Em mesa-redonda no Pavilhão 3 do Riocentro, os americanos defenderam a ação. Mas os nigerianos presentes colocaram uma questão: o negócio, afinal de contas, é uma máquina que move a economia local, gerando empregos.
No Brasil, no México e na Venezuela, a situação é similar: as empresas de petróleo são públicas e a retirada de subsídios não é uma manobra fácil de se implementar.No subsolo marinho brasileiro, o pré-sal faz sonhar muitos empreendedores, hoje entre os mais poderosos do mundo. Além disso, não é simples transformar investimentos em energia fóssil em benefícios socioambientais. A máquina burocrática, a fome dos lucros e a força política teriam, certamente, a capacidade de sugar esse dinheiro.
Questionado pelo Mercado Ético, Jake Schimidt, diretor internacional de políticas climáticas da NRDC, confessa que a situação não é tão simples quanto possa parecer. A transferência desse volume de dinheiro pede mesmo uma transição para que se torne investimento em educação, preservação e alimentação para milhões de pessoas. O caminho da sustentabilidade precisa de ações concretas bem planejadas.
O fato é que a campanha para o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis faz seu caminho nos Estados Unidos, chegando ao Riocentro como uma proposta aos chefes de estado da ONU presentes à Conferência pelo Desenvolvimento Sustentável: o valor dos subsídios calculados para o mundo em 2012 equivalem a 12 vezes a soma destinada às energias renováveis (os números são da International Energy Agency dos EUA www.iea.org/).
Conheça melhor essa campanha:
www.nrdc.org/policyhttp://priceofoil.org/about/