Salas Temáticas > Educação e sustentabilidade

12/05/2009 - 16:00:20

Ferramentas para a sustentabilidade

Talita Mochiute, do Aprendiz

Foto: www.sxc.hu
“A tarefa da educação é semear utopia. Utopia, não como sinônimo de impossibilidade, mas como mundo de felicidade e paz. A ideia de utopia comporta ainda a ideia de ser algo que abre os olhos. A educação também precisa ser entendida como prática da liberdade e da autonomia”, afirmou o filósofo e doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mario Sergio Cortella, em debate no II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, em São Paulo.

O evento promoveu discussões em torno dos princípios da Carta da Terra, cuja primeira versão foi apresentada na Rio Eco-92. Um dos princípios desta declaração para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica é Democracia, não-violência e paz. Sua promoção, segundo o documento, está relacionada à integração, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, dos conhecimentos, dos valores e das habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

Para o representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Vincent Defourny, a educação tem um grande poder de transformação: “muda o olhar sobre as coisas”. Além disso, ele entende a educação como um processo em que o sujeito aprende a conhecer, a fazer, a ser e a conviver junto. “Educação não é só escola, é preciso compreendê-la no seu sentido mais abrangente”.

Defourny, doutor em Comunicação, também acredita que a comunicação e as novas tecnologias podem ajudar nas mudanças sociais. “Uma boa comunicação em rede colabora no desenvolvimento da comunidade: abre canais de diálogo, ajuda a dar sentido às ações e mostra como fazer as mudanças”.

Questões da ética

Segundo a filósofa e doutora em Educação, Terezinha Azerêdo Rios, a educação e a ética podem ajudar na construção de uma vida plena e na procura pelo bem comum. “Enquanto olhar crítico dos valores da nossa vida, a ética propõe renovar e inovar, trazendo coisas novas”, comentou.

A professora defende uma educação não moralizante, mas ética. “De moral, a nossa educação está cheia. É preciso entrar a ética para problematizar essa moralidade”, afirmou.

Para Terezinha, as pessoas e a educação procuram responder: o que devo fazer para ter um mundo mais sustentável? Essa pergunta estaria incompleta e se enquadraria no âmbito da moralidade. “Se a questão for no âmbito da ética, teríamos: que vida eu quero viver? Um dever perde o sentido se não há um saber, um querer e um poder”, explicou.

“Sustentabilidade não é privilégio”

“No momento de múltiplas crises - sintomas da insustentabilidade -, precisamos pensar em respostas concretas para romper esse círculo vicioso”, comentou Defourny. “Não basta imaginar a paz, é necessário criar condições para que isso aconteça”.

“A paz é vida boa para todos e todas”, acrescentou Cortella. Ele enfatizou a necessidade de termos instituições justas e capazes de promover a qualidade da vida e a sustentabilidade.

O representante da Unesco lembrou do trabalho desenvolvido pela sua instituição na esfera da cooperação internacional nas áreas da educação, da cultura, da ciência e da comunicação para a criação de uma cultura de paz douradora e sustentável. “É um desafio de hoje e para o futuro promover os princípios da Declaração dos Direitos Humanos para todos”, afirmou.

Outra questão posta pela sustentabilidade é equacionar o problema da desigualdade social. No entanto, não basta só estender os direitos como de educação, por exemplo, para todos, sem qualidade. “Qualidade para poucos é privilégio. Sustentabilidade não é privilégio”, disse o filósofo.

(Envolverde/Aprendiz)

COMENTÁRIOS

Roberto Rocha 22/05/2009 às 19:48

Acho ótimo as conquistas humanas mas de nada elas serão úteis num mundo estéril e empobrecido. O homem precisa viver cercado pelos ecossistemas naturais para ter uma ótima saúde mental. Não há como existir sustentabilidade se vivermos trancados em blocos de concreto armado, com mil aparatos de segurança. O homem precisa da natureza e não deveria acumular bens materiais como forma de felicidade. O primeiro olhar que devemos mudar é o que só foca a economia como caminho para a conquista humana. Precisamos praticar outras formas de satisfação que envolvam a convivência com a natureza.

Paulo Ricardo Faraco 4/06/2009 às 10:13

Concordo com o autor M. CORTELLA, em que “A tarefa da educação é semear utopia. Utopia, não como sinônimo de impossibilidade, mas como mundo de felicidade e paz. A ideia de utopia comporta ainda a ideia de ser algo que abre os olhos. A educação também precisa ser entendida como prática da liberdade e da autonomia”. Perguntas do nosso cotidiano e com respostas um tanto vagas, são do tipo: o que devo fazer para ter um mundo mais sustentável? Essa pergunta estaria incompleta e se enquadraria no âmbito da moralidade.
“Se a questão for no âmbito da ética, teríamos: que vida eu quero viver? Um dever perde o sentido se não há um saber, um querer e um poder”.
Diariamente, nos deparamos com “novas tecnologias ou tecnologias sustentáveis”, é muito desgaste em um discurso tão importante, mas lamentavelmente a co-relação dos desenvolvimento sócio-cultural-ecológico estão diretamente ligados ao ECONÔMICO. São tecnologias há muito tempo utilizads pelos nossos avós ou no período em que não se tinha ACESSO a modernidade ou a ENERGIA ELÈTRICA, porque na campanha era feio ou dava um ar de pouco desenvolvida a propriedade rural quando se comentava que a energia era de AERODÌNAMO, água bombeada por CATA_VENTO, se RE-UTILIZAVA muito mais água servida antes do que agora, principalmente as donas de casa tinham muito mais NOÇÂO de RE-aproveitamento para lavar uma louça ou roupas do que agora. Lembrando que até os tipos de materiais de hoje (a base de PVC) requer uma lavagem mais desengordurante com mais sabão. Ao ler a reportagem da IPS onde registra a perspectiva de avanços significativos na utilização de fontes limpas de energia na Espanha, com investimentos bilionários de corporações como a Iberdrola, a Abengoa e a Endesa em parques eólicos e solares. Pode ser um bom sinal para o Brasil, onde as três empresas têm participação significativa no setor elétrico.
Palmas para as novas campeãs da energia limpa e renovável? Não necessariamente. A matéria traz uma informação inquietante para os que jogam todas as fichas no mercado e na inovação tecnológica para a superação da enrascada socioambiental em que nos metemos. As empresas são acusadas de repassar para o consumidor a conta dos direitos de emissão de CO2 em suas usinas a carvão, que adquiriram para o período 2005/2007. Foram obrigadas pelo governo do PSOE a devolver o dinheiro, mas se recusam a fazê-lo. Concluo que a maioria das NBR e RESPONSABILIDAES SOCIAIS só estão no “ROL” das empresas vinculadas ao quanto se arrecadará de benefícios e impostos a serem abatidos. Mas o compromisso de de uma empresa em atuar corretamente, com o compromisso ambiental e visndo o mínimo de imapctos sócio-ambientais não vejo muito. Pois o mercado da Consultoria Ambiental aqueceu neste ramo, desde práticas de Educação Ambiental, coisas básicas do conceito de EDUCAÇÂO e CIDADANIA tem que ser explicado a funcionários e executivos. Não obstante, gastar com materiasi impressos de ALTA QUALIDADE GRÀFICA para divulgação, o não uso de papel clorado, ou até mesmo reaproveitado dos “xerox e gráficas” em forma de blocos de anotação e controlar o desperdício da água são nõções básicas de ecolgia urbana. Atualmente a EDUCAÇÂO dispõe de uma série de instrumentos para apoiar-se na prática da construção de um conhecimento “mais justo com a realidade social em vivemos”, até onde leva o paradigma de áís Desnvolvido ou em desenvolvimento é um tanot contraditório. Depende da ótica e dos olhares atentos de nós mesmos e não nos espelharmos em A ou B.

Faça o seu comentário

Campos com * são obrigatórios