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16/07/2012 13:03:43

Geleiras do Tibete estão derretendo rapidamente, revela estudo

Jéssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil

Uma nova análise acerca das geleiras tibetanas corrobora uma hipótese defendida por várias pesquisas realizadas na área até hoje: que os glaciares do local estão diminuindo em um ritmo acelerado. O estudo, baseado em 30 anos de medições de satélites, está sendo considerado por alguns especialistas como um dos mais abrangentes já feitos na região.

O trabalho, publicado neste domingo (15) pelo periódico Nature Climate Change, foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Tibetana da Academia Chinesa de Ciências, e recolheu dados de 7,1 mil geleiras dos cerca de 100 mil km2 das cordilheiras tibetanas, incluindo o Himalaia, o Karakoram, o Pamir e o Qilian, uma área conhecida como Terceiro Polo, que fornece água para aproximadamente 1,4 bilhão de pessoas na Ásia.

O estudo também analisou as alterações na estimativa de massa – diferença entre o acúmulo e a perda de gelo – de 15 geleiras, e concluiu que “a maioria das geleiras tem encolhido rapidamente na área estudada nos últimos 30 anos”, comentou Yao Tandong, glaciologista e um dos autores da pesquisa.

Os cientistas perceberam, no entanto, que há uma grande variação na redução das geleiras, explicada grandemente pelos ventos e massas de ar que atuam na região. No Himalaia central e oriental, por exemplo, onde neva durante o período influenciado pelas quentes monções provenientes da Índia, um pequeno aumento nas temperaturas de verão pode afetar as geleiras drasticamente.

Já o Korakoram e o Palmir, que estão sob influência dos ventos do oeste vindos da Europa, ganham massa com a neve de inverno, e por isso são menos afetados pelo aquecimento, pois as temperaturas no inverno ainda se mantêm abaixo de zero.

“O aumento de temperatura é importante. Mas seu efeito nas geleiras também depende dos regimes climáticos. Isso explica por que a maioria das geleiras que estão estáveis ou aumentando são do planalto do Karakoram ou do Pamir”, observou Yao.

A pesquisa vai de encontro a um trabalho também recentemente publicado pela Nature, que sugere que as geleiras tibetanas estavam perdendo gelo em um ritmo de apenas 10% do que o estimado anteriormente. Este trabalho, que avaliou informações coletadas durante sete anos pelo satélite Experimento de Clima e Recuperação de Gravidade (GRACE), também indicou que as geleiras himalaicas estariam crescendo.

A análise realizada a partir dos dados do GRACE recebeu muitas críticas de que as medições haviam sido realizadas em um espaço muito curto de tempo, e de que o GRACE poderia não ser o sistema ideal para realizar esse tipo de experimento.

“Já que os satélites GRACE só podem sentir a força gravitacional e não podem dizer a diferença entre o gelo e a água, eles podem ter confundido a expansão dos lagos glaciais [que aumentaram 26% em 40 anos devido ao degelo dos glaciares] com o aumento da massa glacial”, explicou Yao.

De fato, um dos autores da pesquisa com o GRACE, John Wahr, admitiu que as críticas a seu trabalho são válidas. “Essa é uma fraqueza importante do GRACE para qualquer estudo glacial não polar”, declarou Wahr, que é especialista em sensoriamento remoto pela Universidade do Colorado Boulder.

Por fim, a análise da Academia Chinesa de Ciências mostra como o monitoramento e medição das geleiras pode ser difícil. “O estudo enfatiza a complexidade das respostas das geleiras na região e a importância da verdade para fazer análises precisas. Estudos de estimativa de massa são extremamente trabalhosos e frequentemente podem ser perigosos, mas nunca há um substituto para pesquisas empíricas”, concluiu Lonnie Thompson, glaciologista da Universidade Estadual de Ohio e coautor do estudo.

(Instituto CarbonoBrasil)

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