19/01/2011 15:33:40
Bryson Robertson, A Expedição OceanGybe*
Tradução: Global Garbage / Miriam Santini mi.santini@terra.com.br
Revisão técnica: Projeto Lixo Marinho / Gerson Fernandino gerson.fernandino@projetolixomarinho.org
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Vancouver, 31 October 2010 – A tripulação da OceanGybe e do Khulula partiu de Mauí, no Havaí, no dia 24 de julho com destino ao Giro do Pacífico Norte e depois, mais adiante, para Vancouver, Colúmbia Britânica, no Canadá. Estávamos ansiosos por essa viagem através do Giro desde que ouvimos falar dele pela primeira vez no ano de 2000, e estávamos também ansiosos para ver a “ilha flutuante” de lixo no meio do oceano Pacífico.
A rota para chegar ao Giro a partir de Mauí é relativamente simples: Navega-se para o norte em direção ao começo da High (aproximadamente 30ºN), então navega-se para o leste até 35ºN e 145ºW – onde Charles Moore, da Algalita Marine Research Foundation, sugeriu como sendo o local onde se poderia encontrar a maior densidade de plástico. A partir desse ponto planejávamos passar alguns dias fazendo arrasto de rede e estudos visuais antes de fazermos uma volta de 90º, rumo ao norte, pelos ventos ocidentais, próximo aos 45ºN. Pelo menos era esse o nosso plano…
Infelizmente, a North Pacific High fica distante da estação meteorológica. Ela está sempre presente de alguma forma e está geralmente localizada entre 30ºN – 50ºN e entre 135ºW e 165ºW – o que pode não parecer muita coisa. Bem, aquelas coordenadas delineiam uma área de aproximadamente 2000 km x 3000 km. Em Khulula, dadas condições perfeitas de navegação, demoraríamos aproximadamente de 10 a 15 dias para cruzar esta área somente uma vez. Sendo assim, quando a North Pacific High decidiu mover-se 2000 km, em dois dias, enquanto estávamos velejando ao norte, ficamos sem condições de modificar nosso curso ou de desviarmos, pois ficaríamos sem energia (ou vulgo: sem vento).
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Quando estávamos planejando nossa viagem ao “Centro do Giro”, pensávamos que poderíamos dar sorte e que conseguiríamos cruzá-lo utilizando diesel suficiente para apenas 900 km. A fim de que pudéssemos transportar essa quantidade de combustível, compramos galões de combustível adicionais por toda Mauí e os amarramos nos trilhos externos do barco – parecia estranho utilizar tanto petróleo para ir atrás de produtos feitos a base de petróleo! Infelizmente, a realidade da situação rapidamente teve início, depois de observamos os gráficos meteorológicos, logo após nossa partida de Mauí, e há 400 km de terra firme. Não seria possível nos aventurarmos até o ‘centro’ da High devido ao nosso limitado combustível. Então decidimos seguir os limites ocidental e setentrional da High/Giro por cinco dias, com motores em marcha lenta e com rede de arrasto. Não tínhamos certeza se essa parte do Giro já havia fornecido amostras anteriormente e pensamos se seria possível obter bons dados de referência para a equipe da Algalita.
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A rede de arrasto apresentava uma abertura retangular que media 0.45 m x 0.30 m e o corpo de formato cônico invertido de 500 μm de malha, com um copo coletor em sua extremidade. O copo coletor armazenava tudo que era maior do que 500 μm que havia sido coletado durante o arrasto. De acordo com o procedimento de Arrasto com Rede da NOAA, fomos orientados a realizar arrastos de 15 minutos enquanto estivéssemos navegando a uma velocidade de quatro nós (aproximadamente 7 km/h) e a mantermos a rede de arrasto 50% submersa. Resumindo, estávamos fazendo arrastos, no sentido figurado, nos primeiros 15 cm de profundidade e em uma largura de 45 cm do Pacífico Norte. Uma quantidade infinitamente pequena quando em comparação com o tamanho do Pacífico Norte.
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Completar um arrasto com rede em um pequeno veleiro não é algo impossível, mas requer um pouco mais de trabalho. Nós montamos nosso pau de balão no mastro, amarramos um bloco (polia) através da extremidade do pau de balão e passamos um cabo de um guincho até a rede de arrasto. Conseguimos erguer e abaixar a rede de arrasto por meio da utilização de um guincho manual. O sistema como um todo foi então mantido no lugar por meio de duas outras linhas estáticas que tinham por objetivo lidar com as pressões e assegurar que a rede fosse mantida fora da área de esteira criada pelo barco. Enquanto realizávamos o arrasto, registramos a latitude e a longitude tanto inicial quanto final, a velocidade do barco, velocidade do vento, as condições do mar, a temperatura da água e a pressão atmosférica. Todos estes dados são inestimáveis para estabelecer a correlação da quantidade de plástico coletada em relação às condições da Pressão da North Pacific High.
Nossa impressão inicial imediata foi a de que a imagem do Giro como sendo uma ilha flutuante de plástico é completamente falsa e que se trata mais de uma fantasia criada pela mídia do que de um fato científico. Não havia nenhum lugar onde a superfície total do oceano estivesse coberta por plástico. Seria mais bem descrita como sendo uma sopa gigante de plástico ou como uma mistura de plásticos. Permanecer sentado no púlpito de proa do barco por 30 minutos, fazendo uma contagem visual, permite a qualquer um ver milhares de incontáveis pedaçinhos de plástico flutuando conforme o barco vai passando. Eles são literalmente incontáveis; seja qual for o sentido, eles são extremamente numerosos. Nós contamos somente os itens que eram maiores do que 10 mm, e ainda assim os resultados da contagem foram bem mais do que 500 durante 30 minutos de duração. Conforme você vai começando a observar ao longe no horizonte, é bem provável que uma bóia de pesca, um engradado de leite, uma garrafa plástica, uma rede ou outras formas de destroços, impeçam de ver mais a frente no horizonte. Pareceu para nós que para cada pedaçinho de vida marinha, há muito mais pedaços pequenos de plástico flutuando na água. É chocante quando se leva em consideração o quão pequena foi a nossa rota através do Pacífico Norte…
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Cada vez que nós içávamos a rede de volta a bordo do Khulula, sempre havia plástico no copo coletor – depois de apenas 15 minutos de arrasto. Estamos impressionados por termos encontrado plástico em todos os arrastos que realizamos durante a nossa rota de ida e volta ao Havaí, independentemente de estarmos no “Giro” ou não. Isto poderia indicar que uma porção ainda muito maior do oceano está cheia destas minúsculas partes, muito mais do que imaginávamos anteriormente. Quase todos os arrastos coletados tinham proporções maiores de plástico do que de vida marinha natural – a análise da amostra está sendo atualmente realizada e os resultados completos estarão futuramente disponíveis.
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É interessante ressaltar que vimos muito menos garrafas de refrigerantes do que imaginávamos ver. A maioria dos grandes fragmentos que vimos eram bóias de pescas, engradados, blocos de isopor, redes de pesca e sacolas plásticas. Cada vez que removíamos um desses fragmentos do oceano, deixávamos um pequeno ecossistema de pequenos peixes pelágicos nadando ao redor em busca de abrigo. Caranguejos, lepas e pequenos pedaços de corais tropicais foram encontrados em muitos dos fragmentos plásticos estudados, dessa forma dando credibilidade aos temores do fluxo de espécies invasoras ao redor do globo através do lixo plástico flutuante.
Enquanto a ‘ilha de plástico’ pode realmente não existir no meio do Pacífico, não há dúvidas de que estamos apenas começando a ver a extensão dos estragos causados por essas pequenas partículas de plástico. Clique http://www.oceangybe.com/para ver todos os resultados.
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Para ler a versão em inglês, clique aqui.
*A reprodução da série especial sobre o lixo marinho é resultado da parceria entre o Mercado Ético, a Global Garbage e a Associação Praia Local Lixo Global/Projeto Lixo Marinho.
Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e as fontes sejam citados
(Mercado Ético/Global Garbage)
parabens pelo serviços de vcs,é bom saber q tem gente q ainda se preucupa com a natreza .