19/06/2012 19:50:55
Quando ensine, dê chão. Manoel de Barros. Se o mundo não vai bem a seus olhos, use lentes para transformar o mundo. Chanel. O ser do homem se faz da linguagem do fazer. Edgar Morin. O real não está na saída, nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. Guimarães Rosa. Essas são algumas das frases que ficam piscando, me hipnotizando da janela do apartamento que estou hospedada em uma movimentada esquina de Copacabana.
Quem tem amigos, tem tudo. Minha empreitada pelo Rio, de não apenas cobrir, mas participar e viver a programação é possível graças ao apoio das amigas Maura Campanili e Marcia Soares, que conhecem minhas potencialidades e minha bagagem profissional. Também agradeço o incentivo do Vladimir Platonow e da Zuzu, Maria Zulmira de Souza, criadora do primeiro programa de educação ambiental da TV brasileira, o Repórter ECO, da TV Cultura. Falo isso, porque cada vez mais reconheço como precisamos valorizar a gratidão. Especialmente à natureza que nos dá tudo sem cobrar nada.
Em troca, o que devolvemos?
Respeito à minha natureza
Pois nesse turbilhão de programas estou procurando vivenciar um respeito ao limite da minha natureza. Consequentemente, sobre como está sendo minha passagem por essa terra. Confesso que estou encantada com a gentileza que tenho encontrado por aqui. Talvez isso seja um pouco esquecido entre os porta-vozes da sustentabilidade.
Quem vive no jet set da imprensa que cobre os meandros da sustentabilidade, que entrevista gente de todos os calibres, sabe bem quem são os ególatras, aqueles que se preocupam mais com os flashes do que a mão na massa do exemplo prático da busca contínua pela evolução. Isso está sendo muito nítido entre os palcos de teatro e auditórios da Rio+20. Cada vez mais acredito que um dos pontos chaves da nossa insustentabilidade é o nosso ego, querer ser mais que o vizinho, ter e mostrar para os outros. Isso é o motor do consumo.
Credibilidade, palavra de ordem
Sem saber direito para onde estava indo, me deparei com eventos super chiques em plena capela/biblioteca – talvez o espaço mais fantástico – da Rio+20. Um deles foi a entrega do prêmio do Instituto E. Lá conferi o trabalho de expoentes da luta ambiental, como Maurice Strong, Sebastião Salgado e Benki Piyãko, e, de quebra, ainda assisti uma canja de nada mais nada menos do que Andy Summers e Roberto Menescal. Foi emocionante ouvir Message in a bottle interpretado por uma excelente cantora e o legendário guitarrista do The Police, que tanto ouvi na minha adolescência.
Embora tenha diversas observações sobre a credibilidade da iniciativa da Osklen – pois em vários aspectos o “estilo Metsavaht de ser” deixa pulgas atrás da orelha daqueles que raciocinam sobre o ponto de vista das variáveis socioambientais – admito que é uma forma de tocar distintos públicos sobre a importância de se valorizar essas temáticas.
No contexto atual, não dá mais para excluir quem pensa e age diferente de determinados princípios em que consideramos os ideais. Qualquer um pode compreender e realizar algo de bom para o planeta. Acho que se a marca X ou Y promove uma forma de conscientização, já é algo válido. Acredito que muita gente vai sonhar em adquirir um produto com apelo responsável e iniciar a notar como funciona o processo de fabricação, a tal cadeia de custódia – de onde vem, como é feito e como chega determinado produto nas prateleiras das lojas.
Faço esse comentário porque nesse evento aconteceram fatos inusitados, que denotam justamente a nossa multipolaridade social. De um lado uma fila de garçons com bandejas de cálices de champanhe – que, incrível, não tinha gente suficiente para degustar – de outro, algumas celebridades e pessoas trocando experiências sobre a sua vivência na luta da proteção ambiental.
Tive a oportunidade de conversar com Russell Mittermeier, presidente da Conservation International, sobre como foi importante o ato dele ter enviado uma pilha de livros sobre Primatologia na década de 80 – muito antes do ax.apc.org – para estudantes de Biologia e Veterinária que estavam começando a pesquisa com bugios no Rio Grande do Sul. Ainda troquei ideias sobre o mercado de orgânicos com o Marcos Palmeira, que talvez seja um ícone, entre os globais, que realmente procura colocar em prática os preceitos da sustentabilidade. Ele tem fazendas de orgânicos, luta pela causa indígena, enfim, um bom moço, muito diferente do seu personagem, o Sandro, da novela Cheias de Charme.
Enfim, tudo isso: ver, reconhecer, degustar, curtir e sentir na veia o que é ou não sustentável está sendo um exercício diário aqui na Rio+20. Tenho muitas coisas ainda para partilhar, especialmente sobre as oficinas e os casos de empreendedorismo social. Mas isso fica entre as cenas do próximo capítulo. Comente o que está achando desses posts sobre a Rio+20. É muito importante ter um feedback, até porque só há crescimento e sustentabilidade com troca – de saberes, de energia, de vitalidade e de opiniões.
(Silvia Marcuzzo/Mercado Ético)
Silvia, você está indo muito bem, falando o que a gente quer ouvir, que snao os encontros e as cenas que estão rolando em varias partes da Rio+20. Dê mais detalhes, relate as cenas, conte os causos, sua linguagem liberdade são encantadoras!
Está muito legal. Parece que estamos na Rio+20, junto com você. Continue estou me deliciando com sua forma de ver as coisas, que é diferenciado de outros jornalistas. É o enfoque de quem atua no cotidiano para levar uma vida em prol da sustentabilidade…bom dia!
Querida Silvia,
Quisera ter a humildade, tempo e a sua capacidade de observação, movida por uma dose inexorável de sensibilidade, para experimentar uma Rio+20 que não testemunhei, só e apenas trabalhei no Riocentro. Você é uma mulher de sorte e nós de podemos ler os seus testemunhos delicados. Obrigada. Um beijo grande, Andréa
Agradeço muito as palavras que incentivam o ato de escrever. Talvez a cada dia descubra que o escrever seja um otimo amigo. Preciso aprofundar essa relação. Obrigada again.
É isso aí, Sílvia. Você está mandando muito bem nos textos. Claros, agradáveis e muito lúcidos. Continue assim e que esta energia que você recarregou na Rio+20 dure pelo menos até a Rio+40. Não podemos deixar que tudo o que se falou nesses dias de sol e chuva no Rio se perca ao vento. Tem que ter consequência. Bjs