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03/11/2009 - 15:34:23

IUCN divulga dados sobre animais em risco de extinção

Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Lagarto Panay Monitor, das Filipinas, está entre os 293 répteis que entraram na lista de ameaçados neste ano. Foto: Tim Laman/IUCN
Devido a perdas de habitats, a degradação, a super exploração, a poluição e as mudanças climáticas, 36% das 47.677 espécies catalogadas pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) correm o risco de desaparecerem da superfície terrestre. Os novos números sobre o cenário atual de animais e plantas ameaçados foram divulgados nesta terça-feira (3/10) em tom de alerta devido ao ritmo das perdas.
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“As evidências científicas de uma crise séria de extinção estão aumentando”, disse a diretora do grupo de Conservação de Biodiversidade da IUCN, Jane Smart.

Os anfíbios são os mais ameaçados, com 1895 (30%) das 6285 espécies conhecidas incluídas na “Lista Vermelha”, como a instituição chama o rol com animais e plantas em risco de extinção. Entre os peixes de água doce, 37% estão ameaçados.

“As criaturas que vivem em água fresca vem por um longo tempo sendo negligenciadas. Neste ano, adicionamos novamente um grande número delas na Lista Vermelha e confirmamos o alto grau de ameaça a muitos animais que vivem em água fresca e plantas”, afirma o vice-diretor do Programa de Espécies da IUCN, Jean-Christophe Vié.

Ele explica que isto reflete o estado das águas, incluindo rios, lagoas e lagos, afetados pela poluição e perda de áreas alagáveis. “Há uma urgência em aumentarmos nossos esforços. Ainda mais importante é começar a usar esta informação com o objetivo de explorar os recursos hídricos de forma inteligente”, alertou.

Entre os mamíferos conhecidos, 21% estão em risco de sumir; entre os pássaros, 14%; entre as plantas, 70%; entre os répteis, 28%, e entre os invertebrados, 35%. Mais de 2,8 mil espécies foram adicionadas na lista deste ano (em 2008 eram 44.838).

Um roedor das montanhas de Madagascar (Voalavo antsahabensis), ameaçado pela queima na agricultura, aparece pela primeira vez na lista. Entre os répteis, estão 165 espécies endêmicas das Filipinas, incluindo o lagarto Panay Monitor, também em risco por causa da agricultura e corte de árvores, além de servir como fonte de proteína para humanos.

No Brasil, 212 (5%) das 4.196 espécies catalogadas pelo IUCN estão sob o risco de extinção, sendo 68 criticamente ameaçadas. Ao todo, 10 já estão extintas.

Uma espécie de sapo, chamada Kihansi Spray Toad (Nectophrynoides asperginis), que vivia exclusivamente nas cachoeiras Kihansi, na Tanzânia, passou a ser considerada extinta em áreas selvagens. O animal havia entrado na lista de ameaçados devido à construção de uma represa, que removeu 90% do fluxo original de água. Posteriormente, uma doença causada por fungos teria sido a responsável pela extinção.

Entre as plantas, o IUCN chama a atenção para os efeitos das mudanças climáticas sobre uma espécie de bromélia encontrada nos Andes do Peru e da Bolívia, que continua na lista de ameaçadas. A Puya raimondii é a maior bromélia conhecida, podendo alcançar 3 metros de altura, e produz sementes uma única vez em 80 anos. As mudanças climáticas estariam enfraquecendo sua habilidade de florescer. Além disso, indivíduos jovens também estariam sendo comidos pelo gado criado solto na região.

Ano Internacional da Biodiversidade

Em janeiro será lançado o ano internacional da Biodiversidade, mas Jane ressalta que as análises do IUCN mostram que a meta de redução de perda de biodiversidade para 2010 não será alcançada. “Está na hora dos governos levarem a sério a preservação de espécies e garantirem que seja uma prioridade em suas agendas para o próximo ano, já que estamos correndo contra o tempo”, declara.

A diretora do Programa de Espécies da WWF Internacional, Amanda Nickson, alerta para as relações entre perda de biodiversidade e o aquecimento global. Para ela, a meta da Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas subestimou os impactos crescentes das mudanças climáticas.

“Com as negociações cruciais do clima em Copenhague se aproximando e o Ano Internacional da Biodiversidade em 2010, este é um chamado para que os líderes mundiais acordem”, afirma Amanda.
E o estudo da IUCN é apenas uma amostra do impacto da humanidade sobre outras vidas. Apesar do total de espécies da Terra ainda ser uma grande incógnita, cientistas estimam que existam 1,8 milhão e a vasta maioria ainda nem foi catalogada. E mesmo entre aquelas listadas pela IUCN, 14% não tem informação suficiente para fazer um julgamento preciso da sua situação.

“Estes resultados são apenas a ponta de um iceberg. Nós conseguimos catalogar apenas 47.663 espécies até agora, existem milhões de outras que podem estar sob séria ameaça. Pela nossa experiência, contudo, sabemos que ações de conservação funcionam. Então não vamos esperar até que seja tarde demais e vamos começar a salvá-las agora”, disse o gerente da Unidade da Lista Vermelha da IUCN, Craig Hilton-Taylor.

Números da Lista Vermelha da IUCN 2009

• Espécies catalogadas - 47.677
• Extintas - 875 (2%)
• Ameaçadas - 17.291 (36%) - Criticamente em risco - 3.325, Em risco - 4.891 e Vulnerável - 9.075
• Próxima de estar ameaçada - 3.650 (8%)
• Baixo risco (dependente de conservação) - 281 (<1%) - Esta é uma categoria antiga que gradualmente está sumindo da lista
• Falta de dados - 6.557 (14%)
• Poucas preocupações - 19.023 (40%)

(CarbonoBasil)

COMENTÁRIOS

eloisa 19/11/2009 às 19:43

COMO OS ANIMAIS SOfrem!!!

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