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18/07/2012 16:23:51

Merkel critica adiamento de decisões climáticas

Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil

“Se nada for feito além dos compromissos voluntários atuais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as temperaturas globais subirão de 3°C a 4°C”, destacou a chanceler alemã Angela Merkel, lembrando os diplomatas presentes nos Diálogos Climáticos de Petersberg, que está sendo realizado na Alemanha, que é preciso mais ambição nas negociações climáticas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), qualquer aumento das temperaturas acima de 2°C significará que enfrentaremos as piores consequências do aquecimento global, como a maior frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos.

“Eu enfaticamente acredito em mudanças climáticas”, afirmou Merkel, acrescentando que o tempo perdido discutindo se o fenômeno estaria mesmo acontecendo seria melhor usado buscando soluções para mitigá-lo. “Não há nada a ser ganho se ficarmos brincando com o tempo.”

A chanceler salientou que a Conferência das Partes deste ano (COP 18), a ser realizada em novembro no Qatar, deve, obrigatoriamente, entregar todo o plano para o novo acordo climático, que precisa estar pronto em 2015 para entrar em vigor em 2020.

“Não pode haver mais trapaças, as reduções nas emissões devem começar o quanto antes, até porque é um processo gradual que não pode ser feito de uma única vez”, disse.

Merkel foi ministra de Meio Ambiente da Alemanha nos anos 1990 e ajudou a negociar o Protocolo de Quioto, o qual segue defendendo.

“Devo admitir que um acordo com poder legal é música para meus ouvidos”, declarou.

A chancelar afirmou que entende que não é fácil fazer 180 países concordar com um tratado climático, mas está otimista. “Cada novo projeto para lidar com as mudanças climáticas cria um senso de entendimento e confiança. A energia de todas essas iniciativas precisa ser reunida.”

Entre essas ações, Merkel destacou a revolução energética ocorrida nos últimos anos na Alemanha. O país atualmente é um dos líderes mundiais no uso de fontes renováveis e também ocupa posição de destaque na manufatura de equipamentos para esse tipo de energia, como painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas.

“Não foi uma transição fácil, mas conseguimos alcançar um nível excepcional. Podemos ser um exemplo para outras nações.”

Apesar do otimismo de Merkel com o desempenho alemão, seu próprio ministro de Meio Ambiente, Peter Altmaier, declarou recentemente ao jornal Bild am Sonntag que o país pode não alcançar suas metas.

Entre os objetivos que podem fracassar está a popularização de carros elétricos e a redução do consumo de energia em 10% até 2020. Hoje, a Alemanha possui apenas 4500 carros elétricos nas ruas.

De qualquer forma, Merkel apresentou o que acredita ser os pilares para combinar a proteção climática com crescimento econômico: Melhores tecnologias, políticas inteligentes de subsídios, logística eficiente e avanços na construção sustentável.

“Os países industrializados devem liderar pelo exemplo. No fim, a maior parte dos danos ambientais podem ser atribuída a estas nações”, concluiu a chanceler.

(Instituto CarbonoBrasil)

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