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Muitas ideias na cabeça e uma câmera na mão
Isabel Capaverde, da Plurale em revista*
Federico Fellini, grande cineasta italiano, disse certa vez que “o cinema é um modo divino de contar a vida”. O certo é que o mundo nunca mais foi o mesmo desde que os irmãos Lumière inventaram o cinematógrafo - técnica de projetar fotogramas de forma rápida e sucessiva para criar a impressão de movimento - no final do século XIX. De lá para cá a evolução da tecnologia não só popularizou o cinema como o transformou em uma forma de expressão mais barata e acessÃvel, graças aos equipamentos digitais. Com isso surgiram no Brasil muitas organizações não governamentais, festivais e ações focadas nos jovens das classes menos favorecidas e na linguagem audiovisual. Se ver e ser visto na tela, tem transformado a vida de muitos deles. Não só descortinando um novo mercado de trabalho, mas acima de tudo ampliando o universo cultural e contribuindo para elevar a autoestima e desenvolver o senso crÃtico desses jovens..
Cultura, cidadania e mercado de trabalho são as bases da organização social Cinema Nosso, surgida de maneira muito despretenciosa como conta seu diretor, o cineasta Luis Carlos Nascimento. “Tudo começou a partir das oficinas de preparação de elenco para o filme “Cidade de Deus”, do diretor Fernando Meirelles. Fiz parte desse grupo. Terminado o filme alguns de nós continuaram em contato. SaÃamos para trabalhar e nos finais de semana voltávamos para as comunidades a fim de ensinar as crianças. E assim fomos constituindo uma organização que depois se estruturou com metodologia e uma equipe multidisplinar. Mais recentemente, com apoio do Fernando Meirelles, ganhamos uma nova sede na Lapa, bairro que faz parte do corredor cultural do Rio de Janeiro. Estamos ocupando um casarão de quatro andares com cerca de 400 metros quadrados, que abriga cabine de sonorização, sala de exibição com equipamentos digitais de última geração e alta definição, laboratório e salas de aula”.
Através da linguagem audiovisual (cinema, TV, animação e vÃdeo), o Cinema Nosso fortalece a educação pública. Nas oficinas realizadas pela instituição, os alunos são estimulados ao diálogo, criação, reflexão social e a comunicação entre as várias classes sociais. Pelos cálculos de Nascimento já passaram bem mais de duas mil pessoas nas atividades propostas pela organização. Em pouco mais de seis anos de existência já formaram 500 educandos de 20 comunidades de quatro municÃpios do Grande Rio, realizaram 30 cursos e 50 oficinas, produziram 90 curtas-metragens e fizeram dezenas de exibições públicas, além de participações em festivais nacionais e internacionais, com direito a premiação. “O Cinema Nosso tem a escola, a produtora-escola e a sala de exibição. Na escola os cursos funcionam em quatro nÃveis: básico, intermediário, avançado e a produtora-escola que é uma espécie de estágio para os alunos e também um mercado de trabalho alternativo dentro do convencional. Como no Brasil não temos ainda uma indústria do audiovisual constituida, alguns alunos ficam trabalhando aqui mesmo nesse núcleo de produção. Recebemos encomendas de filmes de empresas como a Embratel, a Petrobras, o Metro Rio, o Circo Du Soleil. Empresas que exigem produtos de qualidade”, explica.
O objetivo da sala de cinema da sede, com capacidade para 60 expectadores e sessões a preços populares, é exibir não somente as produções da casa, mas filmes, documentários e animações experimentais que não costumam ter espaço nas grandes salas de cinema. Também abrem para outras instituições que queiram assistir a determinados filmes fora do circuito comercial. E caso algum grupo que os contate peça um filme que eles não tenham em acervo, negociam com o exibidor. Segundo Nascimento, com os trabalhos feitos pela produtora-escola e as exibições na sala, o Cinema Nosso ainda não é autossustentável. Por enquanto, o que arrecadam corresponde a cerca de 30% do seu orçamento. O restante é patrocinado pelo Programa Desenvolvimento e Cidadania da Petrobras, pela Eletrobras e ArtAction -entidade mantida pela Orient Global - e tem apoio da fundação ABC Trust ( Action for Brazil´s Children) - organização de base britânica cujo patrono fundador é o lendário guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page.
Inseridos no mercado
Jussimar Teixeira e Carolina Merat são exemplos de jovens já inseridos no mercado de trabalho via produtora-escola. Ele é gaúcho de Taquara, tem 21 anos e sabe muito bem o que quer: ser um excelente cinegrafista, embora não descarte o trabalho na frente das câmeras como ator, sua formação inicial. Ela é carioca de São Gonçalo, tem 19 anos e, por enquanto, a única certeza é que seu caminho é o cinema. Ainda não decidiu se quer trabalhar na produção ou direção de arte, ser assistente de direção ou roteirista, todas atividades que teve oportunidade de exercitar no Cinema Nosso. Jussimar chegou à instituição depois de ler no jornal sobre o curso. Fez inscrição, entrevista e foi chamado. “A instituição é muito focada e a gente fica o tempo todo em contato com o pessoal que atua na área. Durante todos os nÃveis do curso, tivemos palestras com diretores renomados, com profissionais que estão no mercado. O Cinema Nosso também recebe profissionais do exterior promovendo um intercâmbio”, conta. Jussimar além de trabalhar na produtora-escola foi indicado como cinegrafista para o Programa Espelho, dirigido e apresentado pelo ator Lázaro Ramos no Canal Brasil.
Carolina fez um curso de audiovisual promovido pelo Cinema Nosso no SESC de Niterói, cidade vizinha à São Gonçalo, ano passado. “Foi um curso rápido de um mês. Eles me convidaram para conhecer a sede do Cinema Nosso, na Lapa. Gostei e me inscrevi”, relembra. Carolina quer aprender o máximo de tudo e revela que gosta de muitas coisas dentro do mundo do cinema. “Toda atividade que sou convidada para fazer, me entrego e faço o melhor possÃvel. Já fui diretora de arte de um curta, fiz produção e assistência de direção em outros trabalhos. Indicada pela produtora-escola também dublei uma personagem de animação. Posso não saber no que exatamente, mas sei que é no cinema que quero permanecer trabalhando”.
CineCufa - o cinema na tela da favela
Democratizar a sétima arte, dar voz e vez ao morador da favela mostrando o mundo sob o seu ponto de vista. Este é o objetivo do CineCufa - Festival Internacional de Filmes de Periferia, que exibiu em sua terceira edição, entre os dias 30 de junho e 9 de julho no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, 161 filmes entre longas e curtas-metragens de temática livre, produzidos por moradores e legÃtimos representantes das favelas do Brasil e de paÃses como França, Itália, Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia. Os vencedores foram escolhidos por voto popular e júri especializado e a premiação, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, serviu para incentivar novas produções desses realizadores. “Pretendemos valorizar cada vez mais as produções dos cineastas de favela, bem como fomentar a construção de uma identidade que passe a atuar mais fortemente no mercado cinematográfico”, analisa Nega Gizza, uma das curadoras do festival.
Nega Gizza e o rapper MV Bill são dois dos fundadores da CUFA - Central Única das Favelas, organização que nasceu a partir da união de jovens de várias favelas do Rio de Janeiro que buscavam espaço para expressar suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver. Hoje a CUFA está presente na maioria dos estados brasileiros e em alguns paÃses da Europa, América Latina e nos Estados Unidos. “Uma das primeiras manifestações da CUFA foi através do audiovisual. As coisas começaram a acontecer depois que o videoclipe feito por nós, da música “Soldado do Morro” do MV Bill, foi premiado. Com o dinheiro do prêmio o Bill investiu em equipamentos: câmera, ilha de edição e tudo mais. A partir daà fomos nos organizando e fazendo novas produções como o documentário “Falcão - Meninos do Tráfico”. Depois vieram os cursos de capacitação em audiovisual e os apoios de quem acreditou nos nossos projetos”, fala Gizza.
Coordenadora do curso de capacitação profissional em audiovisual da CUFA na Cidade de Deus, PatrÃcia Braga explica como funcionam os cursos oferecidos pela organização. “Os cursos tem a duração de um ano e acontecem todos os sábados. Convidamos para dar aula profissionais que estão no mercado. Então, CaetanoVeloso já deu aula de trilha sonora, Lia Renha de direção de arte, Paulo de Souza de iluminação, Cacá Diegues de direção, e Raphael Drabut, Ivana Bentes, Teresa Gonzales, enfim, inúmeros profissionais consagrados. Só no ano passado formamos 70 alunos. Desde que o curso começou acredito que formamos cerca de 400 alunos. Não há pré-requisito para se inscrever nos cursos. Priorizamos pessoas que sejam da comunidade e de comunidades vizinhas, que não tenham recursos financeiros para pagar um outro curso. Além da Cidade de Deus, temos também um núcleo no Viaduto de Madureira e outro no Complexo do Alemão. Na Cidade de Deus, especificamente, funciona uma incubadora. Em 2008 produzimos cinco videoclipes, cinco documentários e um filme de ficção”.
A capacitação profissional em audiovisual tem o apoio do Ministério do Turismo. Além disso, a CUFA mantém várias outras parcerias, entre elas com a Escola de Comunicação da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Apesar de termos três ilhas de edição e duas câmeras, por vezes precisamos usar equipamentos cedidos pela Escola de Comunicação, nossa parceira. Aliás, tudo que conseguimos até aqui é fruto de parcerias. Muitos dos formados na CUFA foram absorvidos pelo mercado de trabalho. Tem gente nossa na Carioca Filmes, na Lata Produções e espalhados por outras produtoras. Mas se o jovem depois de passar pelos cursos da CUFA começar a ter voz e a pensar o mundo de forma mais crÃtica nosso trabalho já terá valido a pena”.
Como protagonistas
Nem sempre são os jovens que estão com a câmera na mão. Por vezes eles são os protagonistas das histórias retratadas, enfrentando desafios em busca de soluções para um sistema de saúde precário, uma educação sem qualidade e os altos Ãndices de desemprego. Como forma de dar visibilidade a essas histórias, a jornalista Neide Duarte escreveu o livro e produziu o documentário Frutos do Brasil - disponÃvel no You Tube - dando vida, cor e caras ao movimento de participação de jovens no paÃs. O livro e o documentário contam a história de oito experiências de mobilização juvenil e fazem parte de um projeto maior intitulado Frutos do Brasil - Juventude em Debate realizado pela Aracati - Agência de Mobilização Social em parceria com a Fundação Kellogg e que tem como objetivo incentivar a participação juvenil e o debate sobre a condição de vida dos jovens.
Atualmente repórter especial da TV Globo, Neide é jornalista experiente com passagens anteriores na Folha de S.Paulo, na própria Globo e na TV Cultura onde apresentou e dirigiu o programa Caminhos e Parcerias, viajando pelo Brasil contando histórias de projetos sociais. O programa recebeu prêmios e reconhecimento internacional. “Quando o pessoal da Aracati me convidou para fazer o Frutos foi muito por causa do Caminhos e Parcerias. Fiz em torno de 50 programas para a TV Cultura, mostrando comunidades e pessoas que trabalham para melhorar as condições de vida nessas comunidades. Mas a Aracati queria que eu fizesse apenas o livro. Como sempre fiz televisão, não ia agüentar viajar sem uma câmera. Então, levei minha câmera e fui registrando. Assim surgiu o documentário”, fala a jornalista.
Para Neide a quantidade de organizações sociais e de programas, documentários, filmes e ações dando ênfase à s questões sociais começam a mudar cara do Brasil. “Acho que as pessoas estão mais conscientes e começam a desenvolver um sentido de cidadania e tudo aquilo que ela representa: mais saúde, educação, segurança, essas coisas. Dependendo do lugar ainda está muito no inÃcio. Esses jovens que conheci estão engajados em alguma luta, em alguma reflexão. Eles batalham muito pelo que querem, pelos seus sonhos, para mudar as suas realidades e vão atrás mesmo. São multiplicadores”.
A inclusão social também passa por promover e encorajar novas formas de compreender as deficiências, lembrando que deficiência é qualquer diferença fÃsica, sensorial ou intelectual. Proposta do Festival Assim Vivemos que chega a sua quarta edição exibindo filmes de ficção com atores deficientes, documentários ou animações sobre pessoas com deficiência vindos dos quatro cantos do mundo. O cineasta Gustavo Acioli e a produtora Lara Pozzobon foram os responsáveis por trazer essa ideia para o Brasil. “Há muitos anos fizemos uma ficção cuja personagem principal era uma moça cega. O filme chamava-se “Cão Guia”. Ganhamos prêmios e fomos convidados a participar de um festival temático que existe na Alemanha. Quando chegamos lá é que percebemos que o festival tratava apenas de filmes sobre deficiência e os filmes tinham personagens realmente deficientes, ao contrário do nosso, que era uma atriz interpretando uma cega. Achamos o festival muito interessante e resolvemos propor uma mostra semelhante ao Centro Cultural Banco do Brasil. Eles acreditaram na ideia e como a mostra foi sucesso evoluÃmos para um festival”, diz Lara.
No festival que acontece em agosto no Rio de Janeiro, setembro em BrasÃlia e outubro em São Paulo, todas as exibições tem audiodescrição e catálogos em braile para pessoas com deficiência visual, além de legendas descritivas (mesmo nos filmes nacionais) e intérpretes em LIBRAS nos debates para deficientes auditivos. Também os espaços tem acessos adaptados para cadeirantes e pessoas que tenham deficiência locomotora. “Temos muitos pedidos para levar os filmes exibidos no festival para outras cidades brasileiras, mas infelizmente não podemos comercializar esses filmes, porque eles são cedidos pelas suas produtoras apenas para o festival. A maioria são filmes que vem de outros paÃses, embora hoje já recebamos muitos filmes brasileiros que são feitos especificamente para o festival, o que nos deixa muito orgulhosos”, revela Lara.
O festival deu frutos, o programa Assim Vivemos levado ao ar na TV Brasil, sempre aos domingos à s 18h30 que tem um formato interessante: uma entrevista com uma personalidade deficiente e em seguida filmes sobre deficiência oriundos mais variados lugares do mundo. Os apresentadores são deficientes e o programa tem audiodescrição e tradução simultânea para lÃngua de sinais. “Os festivais são formadores de platéia assim como o programa. Existem filmes belÃssimos e muito bem produzidos com essa temática. Acho que exibir esses filmes, falar desse assunto faz com que as pessoas tomem consciência e os deficientes tenham mais coragem. Convivemos todos no mesmo espaço e eles também tem os mesmos direitos à informação, ao entretenimento e ao ir e vir”.
Pioneiros
Há 32 anos eles mostram um Brasil desconhecido e por vezes até esquecido, lugares onde o poder público não chega e as populações são excluÃdas. Paula Saldanha, jornalista e escritora, e Roberto Werneck, biólogo e documentarista, desde 1977 fazem documentários onde a ideia básica sempre foi mostrar para o grande público, como anda o paÃs de norte a sul, leste a oeste. As reportagens e programas de TV, transformados em vÃdeos, foram utilizados no Brasil e no exterior como materiais informativos para projetos culturais, sociais e de educação ambiental. Juntos criaram a RW Cine que produz o programa Expedições, iniciado em 1995 como uma série. Como relatam no site do programa, exibido na TV Brasil: “Com a câmera na mão, pudemos denunciar problemas, cobrar soluções, dar voz à s comunidades, aplaudir e divulgar as boas iniciativas. É esse sentimento de poder contribuir e mostrar a beleza de nossa terra que nos leva Brasil afora, fazendo de nosso trabalho uma paixão!”.
Entre uma viagem e outra, invarialmente de malas prontas, Paula falou sobre as mudanças sofridas pelo paÃs e da participação do cinema e do vÃdeo nessas tranformações. “De 1977 para cá, podemos dizer que a cara do Brasil mudou e muito, principalmente, depois da Constituição de 1988, onde as questões ambientais e sociais passaram a ser tratadas com mais cuidado. Com uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, muita coisa está melhor, menos o cuidado com os recursos hÃdricos e com a floresta Amazônica. Em relação à justiça social e à inclusão social, nosso paÃs ainda tem muito o que trilhar e conquistar”.
Se a televisão e o cinema ajudam na inclusão ao retratar essas populações? Ela não tem dúvidas. “Com certeza! Sempre viajamos para diferentes regiões e ouvimos as populações - suas necessidades. São muitas as histórias (muitos cases). Ajudamos diversas comunidades, apresentando as realidades locais em rede nacional de televisão e cobrando soluções. Sabemos da importância do trabalho que realizamos e pretendemos continuar nessa linha, sempre ajudando na transformação. Temos muitas histórias de mudanças como a comunidade de pescadores de Balbino, no litoral do Ceará, as comunidades do Alto Xingu, os grupos culturais da região do Cariri, comunidades quilombolas de Frechal (MA), Paraty (RJ) e Guaporé (RO), entre outras tantas”.
Dificuldades de manter um programa com essa temática no ar há 15 anos? Muitas. “O mais difÃcil de manter um projeto como o Expedições, de 36 programas de 26 minutos de duração semanalmente no ar é produzir em diferentes regiões do paÃs. Um programa que gera DVDs trilingues, livros, exposições. Em relação ao patrocÃnio do Expedições na TV, só existe uma cota de patrocÃnio que é,atualmente, fechada pela emissora. Mas o que mais nos gratifica é verificar que pessoas e comunidades que levam uma vida simples,conseguem construir belos e eficientes projetos de transformação da realidade local - desde Roraima até o Rio Grande do Sul”.
Paula adianta para Plurale o que vem por aÃ. “Estamos preparando um belo projeto de conteúdos trilingues sobre nosso paÃs. Em termos de viagens, eu e Roberto estamos organizando e financiando Expedições CientÃficas à nascente do rio Amazonas. A Expedição de 2007 oficializou o local da nascente no Sul do Peru, permitindo a medição do Amazonas pelo INPE. Pedro Werneck, nosso filho, acaba de retornar de uma grande expedição Amazonas, da nascente à foz e vai apresentar, dia 14 de julho os resultados de sua expedição de reconhecimento da região da nascente aos pesquisadores do INPE. Em setembro,os cientistas brasileiros e peruanos subirão os Andes, na próxima expedição cientÃfica que estamos organizando”.
(Plurale)
*Esta reportagem especial é destaque na edição 12 de Plurale em revista.
COMENTÁRIOS
Esta era a tese de Glauber Rocha”UMA IDÉIA NA CABEÇA E UMA CÂMERA NA MÃO” autor do longa-metragem Terra em Transe

