18/06/2012 15:29:50
Sucena Shkrada Resk, Mercado Ético
A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, e a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundland, hoje (18), fizeram um chamado para a importância do papel feminino para o desenvolvimento sustentável e alertaram para os abismos de desigualdade de gênero que ainda existem no mundo. A iniciativa precede dois encontros estratégicos que acontecerão nesta semana, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).Amanhã (19), será realizado “O futuro que as mulheres querem: cúpula de líderes sobre a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres para o desenvolvimento sustentável”. No dia 21, haverá o “Chamado à Ação”, realizado por Mulheres Chefes de Estado e de Governo sobre o Futuro que as mulheres querem”. Ambos no Riocentro.
“Os líderes dos governos na Rio+20 precisam rever as questões para o empoderamento das mulheres. No rascunho do documento final, a igualdade de gênero é um tema específico, como também de seu papel nas tomadas de decisões. Até agora, a redação está positiva, mas acreditamos que não deveria ser apenas um parágrafo isolado, mas a participação femina estar inserida nos temas da água, dos oceanos e das cidades, entre outros”, reclamou Michelle.
Segundo ela, a desigualdade ainda tem forte impacto. “Morre uma mulher a cada dois minutos por parto e, no campo do trabalho, continua a ganhar menos que os homens. Na área política, a prevalência é de uma em cinco parlamentares…”, comparou. A questão central, em sua avaliação, está em desenvolver a capacidade coletiva feminina.
Desde 92 (no periodo da ECO-92), houve o crescimento econômico mundial em 75%, que não reflete a justiça social, de acordo com a diretora. “Qual o custo disto? A marginalização das mulheres, que se encontram na pobreza. Hoje 43% delas são trabalhadoras rurais e não conseguem acesso à terra igual aos homens. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), se tivessem acesso a recursos, cerca de 150 milhões de pessoas não sofreriam com a fome”.
Nesse quadro de pesos e medidas da vulnerabilidade, Michelle ainda citou outra estatística alarmante:“dois milhões de pessoas morrem de doença respiratória e 85% delas são criançase mulheres”.
Na opinião de GroHarlem Brundtland, não é possível se permitir nos dias de hoje a negligência por discriminação e ignorância. “Existem necessidades de políticas relacionadas à mulher quanto à terra, capital, crédito e mercado. Há um papel fundamental feminino na segurança alimentar e na agricultura… e um potencial não explorado das avós às meninas”, conclui.
(Mercado Ético)