21/06/2012 19:38:15
Isabel Gnaccarini, do Mercado Ético
O Painel “Oportunidades em cadeias de valor na Amazônia”, organizado pelo Fundo Vale durante a Rio+20, teve o objetivo de mostrar os parceiros que a entidade apóia em várias áreas da região brasileira, discutindo as experiências acumuladas ao longo de uma década de trabalho com atores não governamentais. A ação com a organização comunitária e o relacionamento com empresas que fazem negócios na floresta estão voltados para o sequestro de carbono e a prestação de serviços ambientais.
Programa Dendê
João Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, atua há 13 anos em projetos de organização comunitária, responsabilidade socioambiental corporativa e desenvolvimento de cadeias de valor. Ele mostrou dois dos projetos da institutição. O Programa Dendê, com ação nos municípios de Tailândia e Mojú, no Nordeste do Pará, busca fazer com que a empresa que produz óleo de palma para o mercado alimentício melhore a qualidade de vida das populações e de agricultores familiares com quem mantêm relação comercial desde 2007.
No mundo, há 18 milhões de hectares de dendê plantados para a alimentação. Só no Brasil, são 50 mil hectares plantados pela empresa. Mas os projetos de biocombustível do óleo, desenvolvidos pela BioVale e Petrobrás, devem elevar rapidamente esse número para 300 mil hectares. A meta do plano é chegar a 1 milhão de hectares nos próximos anos.
De olho nesse aumento do biodiesel do dendê, o governo publicou em abril desse ano o zoneamento ZAE do Dendê (ou da Palma) para monitorar os investimentos e o auxílio técnico, assim como para controlar os impactos sociais e ambientais de sua cultura. E o Instituto Peabiru quer monitorar o desenvolvimento dessa atividade, que tem o marco zero de sua chegada na região (2007) historicamente explorada por madeireiros: o plantio de palma está restrito a áreas desmatadas.
Trabalhadoras incansáveis
No Marajó, o Peabiru e a universidade Federal do Pará monitoram outras quatro cadeias de valor: farinha de mandioca, pecuária bovina, pesca e açai. Mas um projeto que vai chamar a atenção de estudiosos e organizações no tema da produção extrativista é a cadeia do mel com abelhas nativas (melíponas). “Enquanto um bifinho emite 15 toneladas de carbono para ser produzido, a produção de 2.500 caixas de abelhas cultivadas em 1 hectare equivalem a 0,16 toneladas de carbono sequestrado”, pontua Meirelles.
Para Richardson Frazão, responsável pelo projeto com as abelhas polinizadoras, o mel produzido por 33 meliponicultores tem um valor ainda maior: “o mais importante nesse momento é enxergar as abelhas polinizadoras como produtoras de serviços ambientais para o planeta.”
Copaíba para perfumes da empresa suiça Firminish
Roberto Palmieri trabalha com a certificação e organização comunitária pelo Imaflora. Atuando nas Resex do rio Iriri e Riozinho do Anfrízio, ele relata a experiência de inverter a tradicional parceria entre comunidades e empresas. “Conseguimos que a empresa fosse conhecer a realidade comunitária e a partir daí pudesse instituir novos parâmetros na negociação da copaíba”, explica ele. Com a intermediação, os dois lados puderam conversar em pé de igualdade, o que significa melhores preços e formas de pagamento, incluindo fundo de gestão e administração do negócio. O próximo objetivo do Imaflora é construir ali a certificação de origem, que é um grande valor agregado para a sustentabilidade.
Veja a programação do Fórum Amazônia Sustentável na Rio+20 (parceria Fundo Vale) www.forumamazoniasustentavel.org.br/rio20/
(Mercado Ético)