23/06/2012 20:04:56
Fernanda B. Mûller, do Instituto CarbonoBrasil
Uma nova iniciativa que visa ações imediatas em direção à sustentabilidade foi lançada nesta sexta-feira (22) na Rio +20. Batizada de União Global para a Sustentabilidade (UGS), a entidade é resultado do trabalho de mais de 300 organizações de diversos países e que começou a ser planejada em 2010 pelo Instituto Ethos.
“O objetivo é reunir pessoas que tem esse sentido de urgência e não querem esperar as decisões dos governos que estão sendo postergadas. É um contraponto ao que está se fazendo na Rio +20”, afirmou Paulo Itacarambi, do Instituto Ethos.
A ideia é que a UGS seja um movimento internacional aberto, democrático, plural e permanente para reunir pessoas, organizações não governamentais e empresas a partir de compromissos voluntários de ações em prol do desenvolvimento sustentável.
A adesão é livre a todos os interessados que aceitarem sua Carta de Princípios e declararem publicamente pelo menos um compromisso com metas claras e prazo de execução de até quatro anos.
“A melhor maneira de pressionar é fazendo, este é o compromisso que as pessoas estão dispostas a assumir”, salientou Itacarambi.
A intenção era implantar plenamente a UGS ainda em 2012, porém dificuldades como não ter um ‘dono’ não conseguiram ser superadas a tempo. Uma secretaria executiva com três organizações foi constituída de forma provisória para agilizar a implementação: Civicus, Vitae Civilis e Instituto Ethos.
“A ideia básica é: buscar construir convergência entre os milhares de compromissos, atingir acordos e ganhar escala”, completou.
Aaron Belinky, do Vitae Civilis, adicionou que será evitado o voluntarismo no sentido superficial.“O que procuramos construir é a consistência, comprometimento com a capacidade transformadora do que vai ser feito,”, comentou, completando que “se não começarmos a fazer mudanças dirruptivas, não vai ser significativo”.
Ações
Celina Carpo, do Grupo Libra, exemplificou a abrangência das ações e metas da UGS assumidas pela empresa: reduzir emissões de gases do efeito estufa com prestação de contas anual, produção zero de resíduos sólidos nos próximos anos, 100% dos funcionários capacitados para o tema da sustentabilidade (meta é alcançar também as famílias), implementação do programa de primeiro emprego para jovens de 16 a 24 anos.
“Não existe empresa saudável numa sociedade doente”, enfatizou Celina.
Oded Grajew, ex-presidente do Instituto Ethos, afirmou que já esperava que a Rio +20 não terminaria com compromissos concretos (metas e indicadores), mas que poderia deixar como legado uma mobilização da sociedade. Foi neste contexto que a UGS está se consolidando.
“Infelizmente ou felizmente se concretizou tudo o que esperávamos”, lamentou.
Grajew, que atualmente é coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, informou que a Rede se comprometeu sob a UGS com uma política de compras 100% sustentável e cortes de GEEs. Além disso, a Rede está na secretaria executiva do Programa Cidades Sustentáveis, que busca o comprometimento dos candidatos a prefeito com indicadores de sustentabilidade.
Entre as ações no campo internacional apresentadas durante o lançamento da UGS está a “Ações voluntárias contam”, que busca dar visibilidade para organizações que praticam iniciativas de sustentabilidade.
(Instituto CarbonoBrasil)