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Pesquisa desenvolve modelo para TV digital educativa
Rodrigo Martins, Agência USP
Projeto desenvolveu modelo de referência para desenvolvimento de tv digital educativa
O jornalista Francisco Rolfsen Belda desenvolveu em sua tese de doutorado defendida na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP um modelo de referência para produção de conteúdo educativo de forma interativa em TV digital. O projeto foi constituÃdo principalmente visando a implantação do modelo em canais educativos e universitários.
Belda, que também é pesquisador junto ao Instituto de Estudos Avançados de São Carlos (IEASC) da USP, explica que “qualquer canal com programação educativa poderia usar esse modelo, porém esses canais (educativo e universitário) seriam os mais interessados porque eles são mais experimentais, mais abertos.” Ele acrescenta ainda que é principalmente nesses canais que estão sendo desenvolvidos boa parte dos projetos com ensino a distância.
O modelo desenvolvido na tese de doutorado do jornalista construiu uma série de mapas conceituais, tabelas, gráficos e quadros que podem ser usados como referência em um projeto de programação educativa e interativa para a TV digital brasileira. “O projeto não é um modelo fechado, mas uma espécie de roteiro que profissionais de mÃdia podem consultar para montar sua programação,” ressalta Belda.
A intenção do modelo seria criar diretrizes para interação entre diversos tipos de mÃdias. Para facilitar a construção do projeto, Belda classificou-as em cinco categorias: vÃdeo, áudio, imagem, texto e animação. Por estar ligado à televisão, o vÃdeo é, obviamente, o carro chefe da pesquisa fazendo com que a interatividade como enquetes, glossários e seqüências de imagens tenham como ponto de partida o vÃdeo.
VÃdeo-aula contaria com conteúdos extras como estatÃsticas, enquetes e glossário
VÃdeo-aula contaria com conteúdos extras como estatÃsticas, enquetes e glossário
Dentro do modelo, uma vÃdeo-aula ou uma palestra poderia ser interrompida em qualquer momento que o usuário se deparasse com um termo estranho e fosse consultar um glossário, ou ainda para responder uma série de perguntas propostas pelo professor ou apresentador.
Além da TV atual
O pesquisador explica que modelo desenvolvido não foi planejado visando a tecnologia empregada atualmente. “Mesmo porque, se fosse desenvolvido um modelo atual, diante dos avanços tecnológicos contÃnuos, ele ficaria obsoleto rapidamente.”
Um dos grandes limitantes é a ausência do chamado “canal de retorno”, ou seja, o ponto onde o telespectador vira “tele-interator” e participa diretamente da programação, enviando seus próprios vÃdeos, perguntas, respondendo a enquetes, entre outros. Segundo Belda, seria necessária algum tipo de conexão com a internet que os televisores de hoje não suportam. Além disso, falta regulamentação sobre o assunto.
Outro problema seria o controle remoto que, por mais que consiga atender a boa parte das necessidades, dificulta mais o trabalho do usuário na hora, por exemplo, de preencher um formulário. “O modelo foi pensado em função do controle remoto, mas ele não pode se limitar por isso, foi preciso desenvolver um formato que independa do aparelho da vez”, acrescenta o pesquisador. Ele explica que uma saÃda seria o uso de um joystick, como o dos videogames, comandos de voz ou teclados virtuais.
Uma solução para o problema da interação espectador/programação seria a utilização de um modelo hÃbrido que convergisse internet, tv e celular, a chamada “transmÃdia”. Contudo, Belda destaca que, mesmo com a presença da internet, a televisão tem grande importância no processo de difusão de um conteúdo educativo, pois ela está presente em cerca de 97% das residências brasileiras.
Conteúdo colaborativo e protótipo
Fábrica virtual serviu como prótotipo para os alunos de Engenharia
Para testar a usabilidade do modelo desenvolvido em sua pesquisa, Belda, com apoio de seus colaboradores, desenvolveu o protótipo de uma fábrica virtual interativa. Navegável pelo controle remoto, a fábrica 3D foi construÃda voltada para os estudantes de Engenharia de Produção da EESC. Dentro de cada espaço na fábrica o usuário encontrava diferentes vÃdeos e complementos relacionados a temas da área.
Belda destaca que um dos grandes feitos da fábrica virtual foi utilizar linguagens de programação compatÃveis com o Ginga, programa de computador para TV digital que foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros. O jornalista ressalta ainda que “o protótipo final serviu para mostrar que modelo é viável”.
Com relação à produção de conteúdo, o pesquisador entende que o projeto desenvolvido ultrapassa a idéia “do modelo um para muitos”, onde poucas emissoras produzem grande parte do conteúdo da televisão. “Qualquer grupo pode fazer. Não é preciso uma emissora para produzir conteúdo. Um grupo de alunos e um professor podem produzir sozinhos uma vÃdeo-aula ou outros conteúdos disponÃveis nesses canais”, completa.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com o IEASC, com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e com os cursos de Imagem e Som e Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Mais informações: (16) 8116-3160, email belda@usp.br, com o pesquisador Grancisco Rolfsen Belda. Tese orientada pelo professor Edson Walmir Cazarini, da EESC
(Agência USP)
