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PolÃticas de alfabetização de jovens e adultos ainda são limitadas
Robson Braga *
Embora tenha tido “avanços importantes” nos últimos anos, o alcance da Educação de Pessoas Jovens e Adultas (EPJA) ainda é limitado e “não dá respostas à s populações mais discriminadas”. É o que aponta a Declaração pelo Direito à Educação das Pessoas Jovens e Adultas, divulgada ontem (8/9), Dia Internacional da Alfabetização.A publicação da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e do Conselho de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL) destaca a desatenção com “as populações rurais, indÃgenas e afrodescendentes, migrantes, pessoas em situação de prisão ou com necessidades educativas especiais”.
De acordo com o texto, a América Latina e o Caribe ainda carecem de “financiamento, qualidade, institucionalidade e sustentabilidade”. O documento denuncia que cerca de 35 milhões de jovens e adultos latino-americanos e caribenhos não sabem ler e escrever. Dentro da mesma faixa etária, 88 milhões não concluÃram os estudos primários.
As duas organizações propõem que os governos utilizem, ao menos, 6% de seu PIB (Produto Interno Bruto) com a educação e, desse montante, direcione pelo menos 6% para a EPJA.
Para a CLADE e o CEAAL, ainda é preciso superar - na América Latina e Caribe - os incentivos à educação básica, polÃtica adotada nos anos 1990. Deve-se investir em “polÃticas de atenção para a alfabetização e a educação de pessoas jovens e adultas”, apontam. Também é necessário, segundo os organismos, dar visibilidade “tanto aos sistemas educativos, como aos espaços comunitários”.
As polÃticas da EPJA “devem estar articuladas à formação para os direitos humanos e a paz, a cidadania e o trabalho e ao empoderamento das comunidades. Se deve reconhecer, incorporar e respeitar o patrimônio cultural das pessoas jovens e adultas, recuperando seus conhecimentos, representações, expectativas e habilidades assim como seu contexto e suas necessidades”, diz o texto.
As duas organizações pedem que os governos reconheçam a contribuição da educação popular para a educação de jovens e adultos. Para elas, o aprendizado no contexto popular promove “relações horizontais e valores como a solidariedade, a justiça, a igualdade e transparência”.
A publicação reconhece, no entanto, uma “maior pluralidade e riqueza de experiências, incluindo aquelas que consideram a diversidade lingüÃstica e cultural; a criação e desenvolvimento de redes de educadores de jovens e adultos; bem como a progressiva superação da visão escolarizada”.
O texto também propõe salários mais justos e condições mais dignas e propÃcias de trabalho para os professores que trabalham com a EPJA. Também é necessário “desenhar programas de formação docente em EPJA com enfoques conforme o contexto, idade e necessidades próprias dos setores diferenciados que são atendidos”.
Confintea pela primeira vez na América Latina
Pela primeira vez em sua história, a Conferência Internacional de Educação de Pessoas Adultas (Confintea) será realizada em um paÃs latino-americano. A 6ª edição da conferência da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) se realiza de 1º a 4 de dezembro, em Belém, capital do Estado brasileiro do Pará. Esse é o evento internacional mais importante no campo da EPJA.
A CLADE e o CEAAL comemoram o fato de a conferência ocorrer pela primeira vez na América Latina e, mais especificamente, no Brasil, “pátria do educador Paulo Freire”, “cujas contribuições são de estimável valor em todo o mundo”. Os organismos destacaram o descumprimento das recomendações aprovadas em 1997 pela 5ª Confintea.
* Jornalistas da Adital
(Adital)

