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26/07/2012 17:46:29

Sementes da Rio+20 germinam em Porto Alegre

Sarah Bueno Motter, da Econvicta
A chuva e o frio não espantaram aqueles que querem fazer germinar as sementes da Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, durante encontro na última terça-feira (24), em Porto Alegre. Pessoas das mais diversas áreas se reuniram para trocar experiências e fazer um balanço da extensa programação da conferência, que aconteceu em junho no Rio. O debate foi proposto pela jornalista ambiental Sílvia Franz Marcuzzo, no espaço IDEA – Integração e Desenvolvimento Espelho D´Água.

O encontro deu continuidade ao debate promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes/RS) sobre a Rio+20, onde a jornalista foi uma das palestrantes. A partir das percepções vividas nas duas semanas de Rio+20 – quando transitou entre a Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, e o Espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana – Sílvia destacou que para se mudar a realidade é preciso haver transformação de valores pessoais.

Silvia Marcuzzo em sua apresentação ono espaço IDEA - “Vivemos numa sociedade de valorização do acúmulo: acúmulo de conhecimento e de coisas materiais” / Foto: Sarah Bueno Motter

“Vivemos numa sociedade de valorização do acúmulo: acúmulo de conhecimento e de coisas materiais”, afirmou. A jornalista acredita que para a adoção de novas atitudes é preciso não só mais educação, mas incentivo ao empreendedorismo social, um dos temas abordados no Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, realizado no Espaço Humanidade, iniciativa da Ashoka (www.ashoka.org.br), Fundação Roberto Marinho (www.frm.org.br), Fundacion Avina (www.avina.net) e Skoll Foundation (www.skollfoundation.org).

Os participantes do encontro no IDEA incluíram a anfitriã do espaço, a psicóloga Cristiane Gaiger Ferreira, o professor de literatura José Luiz Matos e sua esposa Iraci Alves, a pedagoga Maria Helena Oliveira, que saiu da Capital gaúcha para ser voluntária durante o evento, o engenheiro elétrico Edson Schaewer Vieira, precursor da energia fotovoltaica no Brasil, o responsável pela gestão ambiental da 4ª Região da Justiça Federal, José Antônio Antunes e os jornalistas Daniela Zatti e Celso Sant´anna.

Os participantes tocaram em diversos aspectos. Marly Cuesta, representante dos Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, que trabalhou intensamente na produção e acomodação de delegações no Sambódromo, entende que os movimentos sociais precisam incorporar mais energia e dinamismo e, principalmente, que os jovens devem se apoderar das causas socioambientais com mais responsabilidade e engajamento.

O jornalista Vladimir Platonow, que atuou na cobertura da Rio+20 pela Agência Brasil – EBC, disse que se sente muito mais tocado às causas socioambientais depois da conferência. Para ele, é importante haver consequências do evento, que não pode ser esquecido pela sociedade e pela mídia, pouco mais de um mês após sua realização.

Poluição de atitudes

Para garantir a continuidade dos debates surgidos na Rio+20, foi consenso entre os participantes do encontro no espaço IDEA que é preciso se encontrar uma “liga”, que una e motive a sociedade civil, fragmentada em diversos setores e movimentos. A funcionária pública do Instituto de Previdência do Estado (IPE) Maria Helena concluiu que, além dos problemas ambientais, vivemos “uma poluição de atitudes”. Ressaltou também que é preciso haver mudança ambiental desde a família, através da educação dos filhos. “Precisamos refletir e mudar nossos pensamentos, nossas palavras e nossos passos, tendo consciência do caminho que trilhamos.”

Tudo isso vai ao encontro da ideia principal de Sílvia, sobre a necessidade de mudança de valores. “A sustentabilidade deve estar presente em nossas relações e qualidade de vida, não adianta nos preocuparmos com o planeta, enquanto não tivermos cuidado com o que está à nossa volta”, resumiu a jornalista, que se dedica a temática ambiental desde 1993.

Consenso também foi que as pessoas que estiveram na Rio+20 são responsáveis por não deixar morrer o sonho, o desejo e a esperança de um mundo mais sustentável, nem que seja nas suas relações. Para isso, é vital regar e cuidar das sementes plantadas. Os presentes despertaram a vontade de continuar discutindo e procurando praticar a mudança de paradigmas que a Rio+20 propõe. Será criada uma lista de discussão e um site na internet para permitir que o grupo de Porto Alegre continue a se encontrar, aberto a novos participantes.

Interessados em fazer parte do grupo devem enviar um e-mail para silvia@econvicta.com.br.

(Econvicta)

COMENTÁRIOS

Marly Cuesta 27/07/2012 às 1:33

Nossa, Silvia Franz Marcuzzo querida, que idéia maravilhosa essa tua, com certeza as sementes estão germinando e crescerão fortes e belas adubadas por tua visão de mundo sustentável, por tuas inquietações na busca de renovação das idéias e projetos em prol do bem comum!
Grata pelo incentivo de sempre.
Certamente nosso sonho há de continuar devido à liga que este grupo ma-ra-vi-lho-so está construindo na certeza de que cada um fazendo a sua parte,teremos um mundo melhor pra nós e pras futuras gerações deste país e do mundo!
A querida Sarah,brilhante neste artigo,não nega que é discípula da Mestra Silvia Marcuzzo!
bjs a cada uma e cada um que esteve nesse encontro,
Marly Cuesta

Celso Sant'Anna 27/07/2012 às 10:57

Ótima a iniciativa da Silvia de abrir espaço para que pudéssemos conhecer um pouco do que aconteceu na Rio+20, e que não foi apresentado pela mídia convencional. O encontro serviu também para uma troca de conhecimentos e iniciativas no trabalho de “formiguinha” que pessoas de diferentes áreas de atuação já realizam aqui no RS em prol de um mundo mais consciente.
Abraços em tod@s.

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