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16/10/2009 - 18:48:05

Seria a sustentabilidade a bola da vez?

Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético

Sempre que se fala em sustentabilidade, logo uma série de definições aparecem. Uns dizem que se trata de uma questão ambiental, outros defendem pontos de vista econômicos e, quase certamente, alguém associará o verbete à paz e às ações sociais.

De certa forma, tudo está certo. Mas colocar diferentes temas no balaio da sustentabilidade, como ocorre nos dias de hoje, pode ser problemático. Como defende Marcel Bursztyn, professor da Universidade de Brasília, isso acaba nivelando o entendimento do tema por baixo. E como não é bem visto dizer-se contra ao desenvolvimento sustentável, acaba-se aceitando um discurso confuso e, no fim das contas, pouco muda na vida real.

Bursztyn, que participou nesta quarta-feira (14/9) do IV Simpósio Internacional de Administração e Marketing da ESPM, cujo tema foi Internacionalização e Sustentabilidade, acredita que sempre houve em todas as sociedades uma idealização de um mundo melhor, mais justo e igualitário. “Talvez a sustentabilidade seja a bola da vez”, aponta ele.

Para o professor, enquanto se discute um mundo utópico, o homem enfrenta diversas questões. “Hoje, os seres humanos têm condições técnicas de se extinguir, mas também correm o risco de perder o status de humanidade”, alerta. Suas palavras se referem à interdependência do homem com a biodiversidade. Em caso extremo, por exemplo, os homens poderiam tornar-se canibais, agindo como seres irracionais para atender suas necessidades.

Ou ainda poderia ocorrer um cenário mais violento, em que pessoas mais privilegiadas não veriam os necessitados como sendo da mesma espécie. “O próximo passo é a dessemelhança, situação na qual o outro serve apenas para ser pilhado”, explica.

A solução, de acordo com o professor, está no gerenciamento de escassez de matéria-prima, além da perda de território, espécies e riquezas que nem conhecemos. “Também é preciso tornar as cidades mais sustentáveis e promover o desenvolvimento sustentável”, completa.

Linda Murasawa, superintendente de desenvolvimento sustentável do Grupo Santander Brasil, que também participou do evento, defende a mudança dos modelos econômicos atuais. Isso, segundo ela, não significa abrir mão do lado financeiro dos negócios, mas sim incorporar dimensões sociais e ambientais à missão da empresa. “É preciso pensar sistematicamente na dependência que temos dos recursos naturais. Isso, até então, não acontece nas teorias econômicas, que sempre olham para esses recursos como algo ilimitado”, explica.

Para a superintendente, hoje, as pessoas entendem melhor essa interdependência e até as empresas sabem que não vão sobreviver se não levarem em conta esses aspectos. “As empresas precisam pensar no impacto de sua cadeia produtiva e levar em conta pontos como desmatamento e uso de mão de obra escrava. Tudo isso passa a impactar na preferência do consumidor”, conta.

Do ponto de vista de rentabilidade, Murasawa afirma que as empresas que adotam a sustentabilidade como sendo parte de seus negócios acabam se tornando mais lucrativas do que as que ignoram o tema. “Além de explorarem novas oportunidades, as empresas sustentáveis contam com uma governança melhor, o que as torna mais lucrativas”, conclui.

COMENTÁRIOS

Larissa Coldibeli 19/10/2009 às 10:04

Legal ver que grandes empresas estão pensando na questão ambiental e levantando a bandeira da sustentabilidade.
Agora, falta cada um transferir essa consciência para o seu dia a dia, e não deixar a responsabilidade somente a cargo das grandes instituições.
Sabemos uma gestão mais engajada pode aumentar a rentabilidade de diversas maneiras, mas, gostaria de saber, pontualmente, de que forma agregar a sustentabilidade aos negócios de uma empresa pode aumentar seus lucros?
abs

Rita Araujo 5/11/2009 às 13:01

A sustentabilidade somente será possível quando as pessoas virem que as outras pessoas também são pessoas, e se reconhecerem como iguais, assim elas aprenderão o que é respeito, e aplicarão naturalmente isso ao meio em que vivem, incluindo o meio ambiente.
As pessoas devem aprender a se amar, assim elas poderão ver o resto do sistema sem “recalques”.
Pararão de competir. Pararão de consumir inutilmente para provar para elas mesmas que são o que possuem.
Pararão de fazer marketing predatório, aquele que faz com que as pessoas adquiram bens desnecessários que acabam desperdiçados, que só cola porque a humanidade está vivendo uma crise coletiva de auto-estima e qualquer blá blá blá convence este pobres coitados que se comprarem mais ou certa coisa eles serão melhores, porque se acham nada, por isso se permitem ser manipulados.
Não tem amor, precisam ter coisas. Não tem tempo e amigos, por isso precisam ter dinheiro achando que podem comprar valores e bem querer.
Mas como isso parece bem difícil, pois o que se vê são pessoas querendo acabar com pessoas por poder ou por falta de amor próprio, creio que o mal está por vencer.
Como disse Albert Einstein: ” Não sei quais serão as armas usadas na terceira guerra mundial, mas na quarta serão paus e pedras”.

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