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11/03/2009 - 15:13:53

Sustentabilidade e mudanças climáticas no ambiente corporativo

Divaldo Rezende*

Com 75% das emissões brasileiras de CO² atribuídas ao desmatamento e mudança do uso do solo, muitas vezes as emissões da indústria e energia ficam em segundo plano nas discussões sobre mitigação das mudanças climáticas as quais representam 80% das emissoes globais.

O setor privado tem tido boas iniciativas, mas ainda está tímido quando se trata de ações estratégicas e de longo prazo. Até o momento, predominam atitudes pontuais como o desenvolvimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e oferecimento de produtos e serviços carbono neutro, existindo realmente poucos exemplos corporativos que atuam em toda a cadeia com uma visão estrategica, consistente e participativa. Neste sentido, não precisa ser uma grande corporação, mas ter sobretudo uma visão estratégica de longo prazo tendo como base políticas construtivas.

As incertezas sobre período pós 2008-2012 do Protocolo de Kyoto e a inconsistência do Plano Nacional ainda não permitem ter uma visão clara sobre potenciais metas de redução de emissões compulsórias no futuro, mas tudo indica que o Brasil caminha nesse sentido. Neste cenário, as empresas brasileiras precisam assumir um posicionamento mais pro-ativo em relação às mudanças climáticas, buscando a sustentabilidade a medio e longo prazo. A visão empresarial de sustentabilidade implica em adotar estratégias de negócios e ações capazes de atender não só suas necessidades atuais, mas também garantir os recursos humanos, naturais e financeiros necessários para a construcao de um caminho de sustentabilidade.

Iniciativas voluntárias como a contabilização de emissões; programas de redução de emissões; identificação de oportunidades no mercado de carbono; politicas de sustentabilidade; estratégias preventivas como estudos de impactos; fundos para contingência e adaptação às mudanças climáticas são fundamentais para a sustentabilidade empresarial de longo prazo frente a mudança do clima.

Alguns setores como a agroindústria já se alertaram para a necessidade de uma visão preventiva. Pesquisadores da Embrapa e Unicamp publicaram um estudo que estima que o aumento da temperatura no país devido às mudanças climáticas vai diminuir a área favorável aos cultivos de soja, café, milho, arroz, feijão e algodão, podendo levar a um prejuízo de R$ 7,4 bilhões já em 2020. O setor sucroalcooleiro, por outro lado, tem incentivado estudos para a contabilidade do balanço de CO² no ciclo do etanol e outras alternativas para o setor.

Neste periodo de crise, as ações corporativas de sustentabilidade devem ser balanceadas com a realidade dos mercados, mas nunca desconsideradas ou ignoradas, pois podemos correr um risco de um retrocesso sem precedentes.

(*) Divaldo Rezende (drezende@cantorco2e.com.br) é colunista de Plurale e diretor executivo da Cantor CO²e Brasil

(Plurale)

COMENTÁRIOS

Sustentabilidade e mudanças climáticas no ambiente corporativo « Política & Sustentabilidade 1/04/2009 às 6:04

[…] aqui a matéria escrita por Divaldo Rezende, para o site “Mercado Ético”, do […]

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