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17/07/2009 - 18:32:08

Um despertar para o clima na Itália

Christopher FlavinChristopher Flavin

O fracasso na busca de um acordo sobre as metas de redução de emissões na Itália na semana passada serviu oportunamente como lembrete de que, nos seis meses desde que o presidente Barack Obama assumiu o governo, os líderes mundiais fizeram pouco progresso para abordar as principais questões que têm de ser resolvidas para que se chegue a um acordo efetivo sobre o clima em Copenhague.

Liderados pela China, Índia e Brasil, os países em desenvolvimento agiram corretamente ao se recusarem a disfarçar a cisão entre Norte e Sul assinando algumas metas vagas sobre emissões globais para 2050. Esses países têm objeções válidas: de que os países industriais deixaram de propor políticas convincentes para a redução de suas próprias emissões e não apresentaram compromissos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas. Essas são questões que não podem ser resolvidas por negociadores de segundo escalão, e até agora os líderes mundiais não conseguiram realizar as discussões detalhadas, graves e difíceis que são necessárias.

Estamos a apenas cinco meses da Conferência de Copenhague e, a menos que em breve haja um progresso nas principais questões Norte-Sul, será impossível fechar o hiato de negociações que ainda persiste. O Congresso dos Estados Unidos e a União Europeia apresentaram propostas semelhantes de metas de redução de emissões para 2020 - partindo do ponto em que nos encontramos hoje - mas nenhuma delas reflete a magnitude dos cortes que os cientistas acham necessários para impedir catástrofes. Mas o crescimento das emissões dos países em desenvolvimentos também tem que ser controlado na próxima década se quisermos que o mundo tenham alguma possibilidade de uma “aterrissagem segura” do clima.

Ambição e inovação são elementos-chave para se chegar a um acordo forte em Copenhague. Desde a China até os Estados Unidos, um progresso jamais visto antes foi impulsionado pelos altos preços de energia e pelas novas políticas, que variam desde novas leis de eletricidade até as normas de economia de combustíveis e mercados emergentes de carbono. Os resultados incluem um mercado crescente para as tecnologias de energia de baixo carbono, o desenvolvimento de novas práticas de agricultura e florestamento, além de uma nova geração de prédios e sistemas de transporte eficientes. Muitos desses esforços contribuem para o desenvolvimento econômico e a redução da pobreza, e também para a redução das emissões.

Mas ainda não são suficientes. Um acordo efetivo sobre o clima deve proporcionar uma forte base para acelerar a adoção de novas políticas e tecnologias tanto nos países industrializados como nos países em desenvolvimento. Isso vai exigir metas de emissão mais fortes, compromissos para a adoção de novas políticas nacionais e um fortalecimento de uma estrutura internacional para prestar assistência financeira e técnica para os países emergentes.

Christopher Flavin é presidente do World Watch Institute (WWI).

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